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domingo, 1 de maio de 2005

Tudo o que fiz

Tudo isso eu fiz:

Engatinhei para poder andar,
usei colher para aprender a usar o garfo,
concluí o jardim para chegar ao CA.

Caí para voltar a andar,
abri os olhos para poder enxergar,
ouvi para poder falar,
dormi para poder acordar,
saí para poder chegar.

Fui para poder voltar,
fiquei sujo para poder me lavar,
deitei para poder me lavar,
li para poder escrever.

Sumi para então aparecer
e me contraí para poder me exprimir,
discuti para poder conversar.

De todas essas evoluções conclui que
nem todos passaram por elas,
outros as inventaram.

Mas alguns poucos avançaram,
mesmo tropeçando se projetaram
e caíram, mas caíram um passo a frente.
Levantaram-se e, felizes, continuaram a andar.
Porque tiveram de superar o desafio da dor
para aprender que naquele local tinha um obstáculo,
que por ser ignorado se fez presente.

E chamou a atenção para outros tantos obstáculos
que, desta vez, serão vistos e ultrapassados.

Assim evolui o sábio,
que dos conhecimentos mais inúteis
extrai a essência para avançar com mais atenção,
induzindo o acerto através do aviso do erro.

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