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segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Vôos extraordinários

Descendo executo
um vôo rasante ao solo.
uma estagnação exata, obrigada.

Com a ajuda do ar, paro
e pouso.
Ao alto, vejo outros como eu.

Que como eu voam,
assim como eu voava.
Mas, agora caminho.

Do mesmo ar que me alimenta,
o usava para me sustentar.
A união certa falhou!

Confesso que me recordo
da visão periférica que tinha
ao olhar lá do alto.

Mas estou feliz
por trocar de condições.
Hoje sou mais livre!

Vivo à beira de passadas incertas
em busca de
uma história misteriosa.

Incentivos

Às vezes só o que falta
é um incentivo.

Apenas um toque,
um empurrãozinho.

Para desfazer o estado inerte,
seja parando ou acelerando.

Em sua vida pode ser
que isso seja apenas o que basta

para acordar o espírito
e fazer com que nada seja sempre a mesma coisa.

Transformando o seu ser
por completo,

deixando-o surpreso e o fazendo
surpreender-se.

Mudanças

São necessárias,
aquele que não atende
a essa ordem natural
não sofre as mutações.

Mutações que não são aplicadas,
não ajudam a manter
o princípio prático
e único.

Cada um muda,
todos mudam,
a não ser aqueles
que não querem mudar.

A esses resta
o modelo,
o modelo de vida
entranhado em cada lar,
em todos os lares
que não querem mudar.

Mudanças imutáveis

Observo uma busca,
uma procura.
Todos estão loucos, alucinados
por um estado normal, comum.
A padronização das máquinas
agora invade a mente,
As ações e aparências.

Sinto saudade
das histórias que eu não vivi.
Dos tempos em que a personalidade
predominava.
Não sou o protagonista
de tais histórias
que são repassadas.

Sinto falta
das épocas que ninguém viveu,
das épocas que eram em si
improvisadas.
Onde a energia não era
a idéia que move o mundo
e o escraviza.

Sinto pena
da tinta recém-inventada
que registrará os próximos tempos
já manchados com os antigos,
que a faxina
não quer tirar, mas ao contrário
O mancha mais.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Naninha

Menina, era só você o que faltava
para abrir meus olhos por inteiro e, ainda,
ajeitar minha visão do que estava ao redor.

Até antes de conhecer-te,
achava que eu vivia bem,
mas depois que entrou em minha vida
não entendo como viver longe de você.

Você me completa.
Nossos pensamentos são próximos.
Nunca tive uma conversa tão interessante
como tenho com você.

Sua personalidade é aconchegante
ao mesmo tempo um tanto rude.
o que, ao menos para mim,
a deixa ainda mais interessante.

Tal foi sua influência que
hoje chamamo-nos irmãos.
Essa condição me conforta,
traz-me uma sensação recíproca.

Reciprocidade. A palavra perfeita
para dar-me a certeza
de que é para mim
o que sou para ti.

Menos de um ano se passou,
o que me traz pena.
Pena de ter passado tão pouco tempo
perto de ti.

Talvez não saiba,
mas cotidianamente conseguiu
conturbar alguns valores meus ditos como certos
melhorando-me mais ainda.

Foi, é, está sendo e eu espero que seja para sempre.
Uma vez que sua companhia se mostra imprescindível,
coloco-me, audaciosamente, como exigente de uma promessa:
que não saia da minha vida enquanto vivermos.

Uma vez que você é imprescindível para
manter minha mente lúcida e minha existência a salvo,
meu inconsciente insistiu e eu não resisti em
escrever-lhe esta pequena retrospectiva, milhares de vezes já refletida.

Refletida em meu caráter
e meus novos hábitos, o que
me garante a certeza irrefutável de que
eu amo você