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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Não, não olhe para trás

Não olhe para trás,
lá estão acertos e erros,
mas não olhe para trás.
Não é isso que nos faz andar para frente.

Não olhe para trás
levante a cabeça e ande despreocupado.
Não olhe para trás
continue sem lembrar.

Não olhe para trás
nada vale a pena ser lembrado.
Não olhe para trás
sem que nada seja recriado.

Não olhe para trás
seguir e esquecer é humano.
Não olhe para trás
nada tão mais natural.

Não olhe para trás
somos apenas o hoje.
Não olhe para trás
vislumbre como é belo o amanhã.

Não olhe para trás
o que passou, passou.
Não olhe para trás
O futuro é fascinante.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Saldo

Depois de tanto sofrimento,
de atitudes que não deveriam ser tomadas.

Depois de um tempo para refletir
analisando tudo em julgamento

o saldo ao fim é positivo
as companhias de verdade foram então definidas.

Os métodos de definição
foram também criados.

O dia a dia mudou seu modo de ser visto
vamos viver um dia de cada vez.

Cada momento em sua devida hora
para que cada um seja melhor aproveitado.

O saldo é positivo
cresci, vivi, venci.

domingo, 19 de novembro de 2006

Perfeição

E se tem a necessidade
de perfeição em curvas e traços
para que nos quais possamos basear
movimento, respiração e arte.

Sem isso nada somos,
nem seríamos pessoas tão pouco.
Sem vida, nem corpo,
sem a nossa perfeição.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Os olhos da alma

Dois anos.
Inocência em idade e espírito.
Sonho bom de criança real
com ausência de responsabilidades posteriores.

Tempo bom,
tempo que não volta,
deixa saudade,
olhos sinceros.

Olhos cujas íris exibem uma alma, algumas vivências.
Poucas, é verdade,
mas reais, sinceras no que mostram,
confusas no que sentem.

Sim, é verdade,
confesso que, claro, também me vejo em ti,
um Felipe de anos atrás.
Mais um que gostava de acordar.

Hoje é complicado,
já vejo minha rotina como difícil.
Difícil por me separar, pelo fato de ter pensamentos próprios,
princípios próprios.

Mas a questão é que você me veio aos olhos.
Os mesmos olhos que se mostram observavam,
se firmaram.
Num ponto, num tempo.

E assim foi como você veio a mim.
São fortes os laços que eu percebo que nos une,
mas temporais.
E se findarão ao fim de um ciclo, duas semanas.

Não acredito, porém, que virá a se findar tão facilmente,
acredito e venho a pedir que também acredite.
E além disso, que force, que cobre do destino
para que se mantenha melhor.

Venho a pedir, mas não quero resposta formal,
quero poder novamente ver em seus olhos e
assim me sentir confortável, esclarecido.
Entender sua resposta, nosso convívio.

A amizade é sincera, sinto isso,
assim quero manter, com sinceridade.
Mas não só sinceridade, quero que seja firme,
forte.

As aulas forçaram, fizeram seu papel,
cabe agora, que estão terminando,
fazermos o nosso
e eternizarmos o cotidiano.

Por fim obrigado,
talvez eu tenha necessitado mais da amizade do que vice-versa,
mas desejo apenas que continue, e peço sua colaboração.
Lembre-se: verei em seus olhos!

domingo, 5 de novembro de 2006

Corpo: sem alma, sem nada

Homem, produto da natureza
Que a consome e a transforma,
A torna artificial,
Tal qual o ser humano.

E nada mais natural que sentir,
Sentir sem poder,
Nem poder impedir,
Mas em vezes ter de conter, é verdade.

Mas, se bem que, ainda mais natural
É sentir-se artificial.
Tudo sofre, sofrerá ou está sofrendo
Transformações.

Tais mudanças obrigadas e forçadas em essência
Afetam não apenas o que fazemos,
Mas também como e o quê sentimos
E aos poucos conseguimos deixar de ser o que fomos.

Aos poucos dando ouvidos à praticidade
Vamos deixando de sentir as contorções da alma,
Deixamos só corpo
Ficamos só, em artifício.

Ocupamos o tempo
Pois incredulamente o ócio
Passa a gerar sentimento
Que não mais deve ser sentido.

Assim, sem ócio ou sentimentos
Trabalhamos e estudamos
O que aconteceu, acontece ou por que acontece
Diminuindo a natureza a meras expressões banais.

Essa única força que ainda sente e transmite
Agora chora e prefere não acreditar
Que ficamos assim e deixamos assim quem ainda não está.
E seus sonhos não são mais do que expressões agradáveis.

O pior não é o produto final,
Mas como a transformação é feita
De início transbordamento de alma, excesso de sentimentos.
E os sentimentos traem e se auto-destroem.

Claro, não que seja a vontade deles,
Mas cutucam, mostram que estão ali
E a artificialidade de outros que insistem, equivocadamente, a se autodenominarem pessoas
Deixa a armadilha, e a ingenuidade e inocência do amor o entrega ao predador.

Assim, mais um, dentre tantos outros
Tira de si sua capa, arranca o conteúdo
E recoloca a carcaça, enrugada e cansada,
E é pessoa, nominal e estatística, numeral. Só isso!

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Eis a lua

Essa noite terei de dormir
Sem ver a lua.
Chuva agradável
Faz questão de marcar presença.

A admiração da lua tem sua explicação.
Nunca esteve tão próxima de todos,
Mas a preguiça de olhar para o céu durante a noite é mais forte
E sua beleza se oculta sem querer.

Quando se impõe a ela sua atenção
É simples a semelhança que possui
Com cada alma humana,
Cada Ser humano.

É bela em forma,
Oculta em mistérios,
Inalcançável em distância,
Pobre em atmosfera.

Em tempo majestosa
Tal qual uma pessoa qualquer
Com suas fases
Segredos e planos.

O importante está na maneira
Como encontrou para se mostrar:
Em unidade apagada.
Em espelho iluminada.

Exatamente como qualquer um,
Ou ao menos como eu
Precisa de brilho e força
Para se manter.

A Terra com seu campo
Concede a força de bom grado.
O Sol com suas reações
Concede o brilho sem saber.

A existência de fato era pouco para si,
Conquistou movimento, força e brilho
E assim se mantém em infinita rotação
Mostrando-se e se escondendo, conforme seu humor.

E então assim não fazemos?
A vida me dá luz, mesmo sem saber.
Os amigos me dão força, que é mantida
Mesmo quando um mundo me rouba a luz.

Ainda que escondido, sem brilho ou beleza
O movimento ordenado e cíclico é mantido
Pela ação consciente, instantânea e involuntária
Do campo gravitacional das amizades.

Amizades que juntas têm valor de Terra.
Algumas, é verdade, são cúmplices do roubo de alegria
Com a promessa de divisão do material furtado.
Outros, porém se esforçam a me manter até que o resgate seja pago.

E nessas voltas centrípetas incontáveis,
Nesses roubos periódicos com data certa
A vida se confirma e se intensifica,
E antes de nascer já deixa prontos os sentimentos.

Assim, no dia a dia da respiração
Temos, pois que a alma bombeia,
O corpo transpira
E se sente a emoção.

Emoção de sentir,
De poder ceder e receber
Os mais variados sentimentos,
Nem que seja como a lua, sem saber.

Ingênuo convívio

Momentos duram frações de segundos
E diz o senso que a vida
É formada por eles
Seriam muitos então os momentos a cada um.

Mas essa essência da alma transfigurada em corpo
Nada seria se fosse formada por simples
Intervalos de tempo
Sem sentido, mas cadenciados.

A vida é a arte de respirar suavemente
E é assim que se respira nas melhores experiências.
A vida se mostra e se renova
E são as outras vidas que nos renovam.

Vida assim como a sua.
Confesso que nunca achei que fosse
Aprender com sua vivência,
Sua forma de respirar.

E foi assim, entre tropeços e brincadeiras
Que começou a se criar intimidade
De amizade ingênua
Gostosa de se manter.

Ensinamentos que aprendemos ao longo de muito tempo
Uns obrigados
Outros despercebidos
Assim se faz com nossa amizade.

Eternos desentendimentos engraçados
Diária presença de atenção
Busca perfeita do que é bom
Companheirismo que não expressa outras vontades.

Vontades que dão sustentação
Ao convívio feliz e amado
Num amor fraterno:
Somos nós nessa nossa amizade.


Dedicado a uma pequena grande amiga, nas circunstâncias de quebra do dia a dia.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Agressivo furto da esperança

O roubo, astuto e minucioso
Não, entretanto, sem ser traumático,
Se faz hoje diariamente,
Com precisão, força e frieza mecânica.

Ao certo não intencional,
Mas completamente destrutivo
Separa corpo de alma
Com agressão aos dois aspectos.

E hoje já sofri essa degradação
Invisivelmente arrancou-me a íris.
Sonhos então escorreram como a lágrima de outrora.

Assim se corresponde ao exigido
O mundo se perde acompanhando os sonhos
E, sem mundo nem sonho, inicia-se uma nova vida.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Humanidade: a lógica do pensamento

Mundo: lugar que eu me recuso a construir.
Sim, uma vez conhecendo
a planta do projeto
enquanto for esta a previsão
me recuso a participar da construção!
Um canto imundo
de vidas sem consistência.
Sem, em sua maioria,
ter criação própria.
E do que já existe
nada me surpreende em sustância.
O ar que todos compartilhamos
dele, às vezes, contamino-me
e me impregna de nojo interior.

Nesse local em que
os mais fracos sentem, amam, erram
e os mais fortes, que sobrevivem,
pressentem apenas, nada mais que isso.
Eu, que sou fraco,
erro, canso-me de errar, mas erro novamente.
Sinto o que não deveria sentir,
confundo o que não se mistura
nem deixa passar.
E os que erram freqüentemente
não fazem sonhos realidade,
estes esfarelam ao toque
e aos poucos tornamo-nos
todos fortes.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Sonhos não realizados

Já anoiteceu há algumas horas.
Saí, olhei para o alto em busca da lua.
Não a encontrei.

Talvez apenas não tenha
olhado para o lado certo,
mas bem que eu queria vê-la.

A lua me lembra seu jeito,
não sei o porquê, mas lembra.
E lembra as vezes que estivemos juntos.

As vezes que, em imaginação,
voltávamos de mãos dadas
Banhados pela luz amarelo-avermelhada de começo de noite.

Talvez a lua lembre
das noites em que deitei esperançoso
e sonhei contigo.

Dos sonhos que um dia montamos juntos,
dos sonhos equivalentes que individualmente tivemos
e do jeito estranho que vemos e queremos.

domingo, 3 de setembro de 2006

Nosso mais estranho

Existe um mundo lá fora.
Um lugar hostil, onde não existe cooperação,
Onde iguais se desconhecem e são estranhos
E que nunca valeu a pena se manter nem descender.

Pessoas em busca insana
Pelo seu estado perfeito.
Enfim conseguiram então:
Escondendo-se uns dos outros.

Eis que a perfeição conquistou
Completo espaço em almas humanas
E os sentimentos incoerentes, incertos e não-controláveis
Foram abolidos de corpo e pensamentos.

Os alimentos tornaram-se então
Óleos prontos, a diminuírem a corrosão.
Bebidas energéticas reformuladas
São somente combustíveis, sem cor ou sal.

Nesse canto perdido no tempo
Sem vida: alegria ou tristeza.
Sem novidade na rotina eterna
Renasce, quase sem querer, um movimento familiar, mas desconhecido.

Sons e aromas diferentes
Pairam no ar.
Então se fez a estranheza
De novo ser no meio.

Fico feliz por termos saído de tal estado.
Independentes de mergulhados nesse poço
Temos nosso mundo,
Perfeito, irreal.

Somos o que construímos
Personalizados e distantes de tudo.
O que está ao redor perturba, tenta contaminar,
E se frustra: não nos deixamos abater.

Vivemos nosso sentimento estranho
De cumplicidade mútua e verdadeira
Que causa assombro e incomoda outros.
Nosso mais sincero amor.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Mundo

Dias de chuva
onde se misturam
metal e água.

Chuva num lugar onde
em épocas escuras
se extrai tinta vermelha.

Tinta tirada à força
com essência modificada socialmente
tornou-se corante artificial.

A noite traz uma brisa suave, confortante.
Traz o receio e a insegurança da escuridão.
E o estado sempre alerta contra a falta de vida.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Muda crença

União de cores
em luz latente
brancamarelo do qual
dia se forma.

Intensidade devastadora
encolhe olhos curiosos
que tentam sem sucesso
ver por detrás da luz.

Que se recolhe
por vontade própria
cedendo lugar
à escuridão inicial, obrigada.

Em meio à falta de luz
a esperança então se sobrepõe
com o crescimento voluntário
do espelho noturno que rebate migalhas da luz verdadeira.

domingo, 20 de agosto de 2006

Início e fim

Cantinho engraçado
Num lugar embasado
Escondido e escancarado
Na infinitude divina, perfeita.

Espaço de mistério
Com seus anos-luz de distância
Desafia a ciência
E a confunde.

Nesse esconderijo qualquer
Onde a razão domina (ou tenta)
Um mundo
Um ponto.

Ínfimos seres
Em meio ao universo lá fora
Que começa então a se mostrar
E apagar o que está cá dentro.

Um símbolo,
Uma cidade enfim.
Cotidianamente se repete
O que é visto diariamente.

Tradição que determina:
Com inimigos se faz um homem.
Mas, talvez ninguém tenha notado que
Com amigos se confirma um ser humano.

Em culturas objetivas
Não se perde tempo com o diferente
Ignora-se apenas
E deixa-se em paz.

Em culturas cíclicas
O diferente incomoda, assusta
Se forma uma organização de diferentes
Que só querem mostrar não serem iguais.

Em nossa cultura falta tempo
Tem-se medo a cada beco
O preconceito enraíza-se até as vísceras mais profundas da alma
E de graça permitimo-nos não ser-mos.

Mas somos em corpos,
Sendo luz em alma
Que nem a todos convém
Em alguns espíritos de porcos

De vida ramificam-se ambos
Corpo e alma
Ainda que presos, encarnados
Em si ainda falta algo.

Uma substância talvez
Ou então uma nova invenção
Ao certo um sentimento
Enobrecido em energia: amor.

sábado, 29 de julho de 2006

Tempos de Glória

Já fizeram muitas previsões
Que tantos acreditaram,
Mas hoje qualquer um pode fazê-las
Com pouca margem de erro.

Como ser humano já fiz as minhas
E não são nada otimistas.
É só olhar ao redor para ver
Que possivelmente não existe retorno.

O que consigo ver ao redor
É perda louca e acelerada
Uma auto-destruição silenciosa,
Sutil, mas visível.

Nessa transformação rápida
Corremos para salvar alguns
Inutilmente, apenas tardando um pouco
O fim próximo e mortal.

Temo então, não por esses alguns,
Mas pela estranha maioria
De todos que não conseguimos nos organizar
Enquanto tudo agoniza.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Níveis atuais

Estamos então inseridos
Num mundo injusto, hipócrita e autoritário.
Lugar de valores imundos
E acontecimentos nojentos.

Em carne e consciência humana
Aprisionaram-nos.
De idéias próprias e atitudes parecidas
Éramos transbordados de sentimentos.

Vazavam por entre os olhos
Que choravam lágrimas
De paixão sincera
E amor verdadeiro.

Mas para fins de confiança
Foram adicionados ambição e orgulho
Em vezes muito pequenas
Quase que inexistentes.

Eram muito abundantes
Foram, aos poucos, sendo ignorados.
Confinaram-os à banalidade.
Cresceram então os maus sentimentos e se reproduziram.

E hoje os novos corpos
Nascem evoluídos
A suportar tais níveis
De ignorância e falsidade

Mas ainda assim
Por erros da evolução
Alguns poucos nascem
Sem tal proteção.

Pessoas como eu
Que de tantos ferimentos
Adquiriram casca externa
De grossa espessura e material rígido

Enganam-se diariamente os que olham
Distraídos para corpos incrustados.
Sem querer ou saber
Afirmam sermos poço depressivo.

Afirmam por não conhecerem
Os únicos baús que ainda guardam
A essência de um tempo, atitudes e sentimentos
Que se perderam e não voltam mais.

sábado, 1 de julho de 2006

Novos tempos

Em primeiro lugar somos animais
E temos nossos instintos.
Mas de uns tempos pra cá
Tornamo-nos capitalistas
E esquecemos quem éramos.

Inventamos um negócio promissor
Daria certo se nossas raízes não o negassem.
Garantia de cotidiano melhor para toda uma vida
Por vezes estragado
Conforme nossa natureza.

Ainda assim estava indo bem
Mas mudaram o jeito de sê-lo
Era sutil, acordo silencioso.
Nada difícil de oferecer,
Apenas surpresas e lealdade.

Acontece que nunca estamos satisfeitos
E transformamo-lo como queremos
De tanto molda-lo ficou disforme
E hoje além de não sabermos mais como é
Ainda nos perguntamos sobre o que é.

Em tempos como esse devemos lembrar
Como antes era o amor
E tentar reatar o nó que em algum momento se soltou
Para não deixar que tudo se perca
Sem vontade.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Maricá

"Sol e Mar"
Terra calma, onde o relógio ainda não chegou.
Lugar tranqüilo, de passos sem destino.
Vento que leva pipas e bolas,
que acompanha o ritmo de infinitas pedaladas.
Cantinho grande de areia e barro.
De casas coloniais, bem feitinhas, quase que de bonecas em tamanho real.
Escondido da civilização, regulado por fases do dia.
Terra batida que levanta poeira aos passos contínuos e sinfônicos
de máquinas, bichos e gente.
Areia que viaja em ar e forma
uma poeira diferente, quase transparente que obriga horários periódicos de faxina.
Durante a noite: silêncio quase absoluto.
A uns adormece, a outros irrita,
mas ao grilo e à cigarra não causa vergonha alguma.
E a noite assim se desenrola, marcada pelas batidas do mar
que de tão perto assusta alguns ouvidos desavisados.
Lugarzinho bom de se ficar.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Esperança

Jogo ingênuo de cores
que exala uma essência familiar,
aconchegante.

Forçam que me recorde
de uma infância tranqüila
da qual fui feliz em aproveitar.

Tempo bom,
gostoso em seus momentos,
despreocupante em suas brincadeiras,
assustador em pesadelos sem sentido.

Afinal, foi-se o tempo
onde o que dava medo
era inventado
e divertido.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Você

Um medo chama minha atenção agora
algo como minha consciência,
fica a latejar em minha cabeça.
Tudo isso pode não passar de sonho.

E se subo muito alto em meus pensamentos
tenho medo de acordar e cair lá de cima.
Seria uma queda curta e cruel,
manteria seqüelas eternas em mim.

O que hoje sinto não consigo explicar.
Sinto falta do que nunca sequer esteve ao meu lado.
Não é como outros sentimentos passageiros,
é algo diferente, que nunca senti antes.

Eu realmente estou estranho.
Sinto louca vontade de falar contigo,
mas ao mesmo tempo o medo de bater em um não como num bloco de concreto me corrói.
De fato não sei o que faço.

Mesmo sem nunca estar contigo antes
dependo disso hoje.
Cambalhota atrás de cambalhota
minha vida vira uma roda gigante.

Como nunca amei ninguém de verdade
e como não sei o que sinto agora
desconfio que eu esteja começando a
amar você.

domingo, 7 de maio de 2006

Estado momentâneo atual 2

Hoje choveu lá fora
Sabe, hoje eu estive lá fora
Correndo na chuva
Debaixo de pingos e olhos curiosos.

Molhei-me completamente
Com camisa e tênis
Corria sem saber
Aonde precisava chegar.

O frio aos poucos foi cedendo
A respiração foi ficando ofegante
Ao passo de em um momento
O jogo ter parecido se findar.

Só faltava um alguém
Para transformar o momento
No mais perfeito.
Sabe, você é esse alguém.

Por um instante parei em um lugar vazio
Fitei o céu, ele tinha um forte tom escuro com borrões azuis.
Gotas poluíam minhas lentes
Tirei os óculos, apreciei a chuva.

O céu estava lindo
E eu parado, olhos ao alto a deslumbrá-lo
Em sua vasta imensidão tornou-se mínimo
Do horizonte ao vértice, tão pequeno!

Perdeu sua graça
Só faria sentido se
Estivesse comigo
Ao meu lado para rirmos das gotas límpidas.

Fantasia sem fundamento
Estou encharcado e longe de casa
O frio já me abandonou a tempo
Como é bom pensar em nós.

Mas a realidade não perdoa
E se apresenta a mim para mostrar
Que de real esse sonho nada tem
Que agora em que eu cheguei em casa o frio me lembra que você não está aqui.

São 0:00h de uma noite de domingo para segunda
Lembranças suas acorrentaram-se aos meus neurônios
Jogaram a chave do cadeado fora
E não me deixam um minuto sequer.

Fico imaginando se está pensando em mim,
Ou se está dormindo preocupada com a prova de geografia
Sabe, você deve ser linda dormindo
Como eu queria ter você do meu lado.

Sabe, amo seu jeito de ser
Sua vida que se mistura à fantasia
Sua forma de ver o mundo
Seu jeito de falar comigo.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Estado momentâneo atual

Aqui estou
a um corredor de distância
que separa a mim do que dizem
ter sido feito do meu reflexo.

Presente de aniversário
sem data concreta se esvai, arrastando-se.
Não cabe ao calendário,
sem a menor certeza se vai aproximar-se de mim.

Em pensar que uma simples ética
e pequena distância de um corredor e uma porta,
de uma sala de fluxo ideológico
em mão e contra-mão é o que nos separa.

Quando o tempo se desatenta
rompe-se tal distância.
Ainda assim resta-me inércia
de antigos estados conflituosos.

Perpetuam-se assim o medo e antipatia,
entregar-se de olhos em olhos...
Só de pensar nega-se tal possibilidade.
Remete-se o medo da mudança de tal situação.

Situação que se arrasta insustentável.
Medo irracional de mudar o que não dá para manter
de jogar os dados e arriscar de uma vez
restando apenas o direito de torcer.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Controle entre espaço-tempo

Que lugar estranho esse em que me plantaram.
Semearam-me e me impuseram
a uma sobrevivência injusta
e obrigada.

Minha natureza me impõe
um crescimento estático, de evolução interior.
De lugar imóvel e tempo imperceptível,
de nenhum estado.

Semearam-me em terra fértil
de condições abundantes de crescimento,
mas ao centro de corpos desenvolvidos,
de incoerentes carateres encarnados.

Com folhas de habilidades produtivas
iniciou-se então a dependência
de combustível e energia
que atingem-me em vezes muito pequenas.

De relance enxergo vultos atrasados
em chegarem ou saírem
ao mesmo tempo em que
amanhece ou anoitece.

Ao centro de muito cinza
meu verde causa distorção.
Na paisagem ao redor natural
que me taxa a um enfeite artificial.

Artifício selado por ordem superior
que me controla e me tranca
a esse movimento estático, sonolento
de um modo estranho, inconsciente.

Meu carma, por milhões de olhos observados,
mas por tão poucos avistados. Assim será
enquanto em mim correr
o estranho líquido prata que transporta minha essência de vida.

terça-feira, 21 de março de 2006

Ilusões cadenciadas

A vergonha me aflige o corpo,
Atinge as pernas, retira-me as forças.
O que guardava tão bem lacrado
agora aflora debilitando-me a carne.

Sinto uma enorme raiva,
mas não deixes tu se confundiste,
não se trata de egocentrismo
muito menos egoísmo.

Apenas uma decisão cristalina.
Poluída, porém transparente.
Límpida a ti,
suja a mim.

Misto de vingança do meu raciocínio
frágil, errôneo, irracional
com meu comportamento
único, estático, inerte.

Iludia-me ao pensar existir um pedestal.
Entre bons e ruins
ocupava uma posição um pouco acima da metade
cobiçada, porém falha.

Fez-se pó.
Despenquei, reduzi-me a
apenas mais um dentre
alguns bilhões de outros.

Inércia involuntária

Tudo se move para encontrar
seu lugar de encaixe natural
como num quebra-cabeças tridimensional
e involuntário.

Se inércia existe
a mim aplica-se perfeita
pois o único a não se encaixar
sou eu, mas sem movimentar-me.

Por mais que qualquer outra coisa
esteja desencaixada
ainda assim movimenta-se
buscando seu lugar.

Como algo inacabado
que não busca fim
assim sou feito
da imóvel matéria.

Não por comodismo,
mas por cansaço. Por, talvez,
desistência.
Afinal não sou nada a esse mundo.

Por que então permanecem todos alheios?
Aos cansaços, perdas e incompreensão.
Aos seres sem existência plena,
sem sua própria confirmação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Inovações tradicionais

As tradições são inovadoras.
Magníficas, estonteantes:
mágicas.

Um atraso temporal
que mostra marcas
em sua própria essência.

Cicatrizes em si representadas.
São em alto-relevo,
sensíveis ao toque.

Rugas caquéticas,
caminham intermitentes
pelas suas superfícies incredulamente lisas.

Cores revezadas contrastam,
pintam e
perpetuam a alma de tais objetos ou culturas.

Na vastidão do tempo-espaço perdem-se.
Na esperança de serem encontradas sentem
apenas esbarrões corriqueiros.

Dois a dois

Par.
Empate.
Iguais condições de
competição.

Cumplicidade
dois em dois
de um em um
união de iguais caracteres.

Alternância,
justiça.
Tempos iguais
em condições iguais.

Imprevisibilidade.
Dupla de diferentes gêneros,
de diferentes indivíduos,
de distintas ações e reações.

Marcações,
cicatrizes vividas
de vidas eternas
com mortes pré-definidas.

Faltas
de fortes apertos,
demorados beijos e
gostosos afagos.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Detalhes

É só prestar um pouquinho de atenção
sem ser por obrigado,
mas por agraciado
que satisfará um coração cansado.

De detalhes esquecidos,
tanto por um quanto por qualquer outro,
mas especiais,
recém desenterrados da superfície do seu lago.

Lago de sonhos e mistérios,
só seus,
que sem querer deixa flutuar.
Deixando à mostra para que todos vejam.

Mas ninguém vê,
exceto
aquele que presta atenção
por estar agraciado.

Unidade

Qual sua cor preferida?
Qual sua forma de escrita?
Quais são suas preferências?
Que o difere dos demais?

A sua unidade não é preocupação minha,
nem de tantos outros iguais,
mas se não for preocupação sua,
para você e qualquer outro não passará de um número.

Uma estatística dentre as milhares de outras
tão insignificante quanto todas as outras.
Aí não terá a menor importância
nem ao menos para si.