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quarta-feira, 26 de abril de 2006

Estado momentâneo atual

Aqui estou
a um corredor de distância
que separa a mim do que dizem
ter sido feito do meu reflexo.

Presente de aniversário
sem data concreta se esvai, arrastando-se.
Não cabe ao calendário,
sem a menor certeza se vai aproximar-se de mim.

Em pensar que uma simples ética
e pequena distância de um corredor e uma porta,
de uma sala de fluxo ideológico
em mão e contra-mão é o que nos separa.

Quando o tempo se desatenta
rompe-se tal distância.
Ainda assim resta-me inércia
de antigos estados conflituosos.

Perpetuam-se assim o medo e antipatia,
entregar-se de olhos em olhos...
Só de pensar nega-se tal possibilidade.
Remete-se o medo da mudança de tal situação.

Situação que se arrasta insustentável.
Medo irracional de mudar o que não dá para manter
de jogar os dados e arriscar de uma vez
restando apenas o direito de torcer.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Controle entre espaço-tempo

Que lugar estranho esse em que me plantaram.
Semearam-me e me impuseram
a uma sobrevivência injusta
e obrigada.

Minha natureza me impõe
um crescimento estático, de evolução interior.
De lugar imóvel e tempo imperceptível,
de nenhum estado.

Semearam-me em terra fértil
de condições abundantes de crescimento,
mas ao centro de corpos desenvolvidos,
de incoerentes carateres encarnados.

Com folhas de habilidades produtivas
iniciou-se então a dependência
de combustível e energia
que atingem-me em vezes muito pequenas.

De relance enxergo vultos atrasados
em chegarem ou saírem
ao mesmo tempo em que
amanhece ou anoitece.

Ao centro de muito cinza
meu verde causa distorção.
Na paisagem ao redor natural
que me taxa a um enfeite artificial.

Artifício selado por ordem superior
que me controla e me tranca
a esse movimento estático, sonolento
de um modo estranho, inconsciente.

Meu carma, por milhões de olhos observados,
mas por tão poucos avistados. Assim será
enquanto em mim correr
o estranho líquido prata que transporta minha essência de vida.