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terça-feira, 25 de abril de 2006

Controle entre espaço-tempo

Que lugar estranho esse em que me plantaram.
Semearam-me e me impuseram
a uma sobrevivência injusta
e obrigada.

Minha natureza me impõe
um crescimento estático, de evolução interior.
De lugar imóvel e tempo imperceptível,
de nenhum estado.

Semearam-me em terra fértil
de condições abundantes de crescimento,
mas ao centro de corpos desenvolvidos,
de incoerentes carateres encarnados.

Com folhas de habilidades produtivas
iniciou-se então a dependência
de combustível e energia
que atingem-me em vezes muito pequenas.

De relance enxergo vultos atrasados
em chegarem ou saírem
ao mesmo tempo em que
amanhece ou anoitece.

Ao centro de muito cinza
meu verde causa distorção.
Na paisagem ao redor natural
que me taxa a um enfeite artificial.

Artifício selado por ordem superior
que me controla e me tranca
a esse movimento estático, sonolento
de um modo estranho, inconsciente.

Meu carma, por milhões de olhos observados,
mas por tão poucos avistados. Assim será
enquanto em mim correr
o estranho líquido prata que transporta minha essência de vida.

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