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sábado, 29 de julho de 2006

Tempos de Glória

Já fizeram muitas previsões
Que tantos acreditaram,
Mas hoje qualquer um pode fazê-las
Com pouca margem de erro.

Como ser humano já fiz as minhas
E não são nada otimistas.
É só olhar ao redor para ver
Que possivelmente não existe retorno.

O que consigo ver ao redor
É perda louca e acelerada
Uma auto-destruição silenciosa,
Sutil, mas visível.

Nessa transformação rápida
Corremos para salvar alguns
Inutilmente, apenas tardando um pouco
O fim próximo e mortal.

Temo então, não por esses alguns,
Mas pela estranha maioria
De todos que não conseguimos nos organizar
Enquanto tudo agoniza.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Níveis atuais

Estamos então inseridos
Num mundo injusto, hipócrita e autoritário.
Lugar de valores imundos
E acontecimentos nojentos.

Em carne e consciência humana
Aprisionaram-nos.
De idéias próprias e atitudes parecidas
Éramos transbordados de sentimentos.

Vazavam por entre os olhos
Que choravam lágrimas
De paixão sincera
E amor verdadeiro.

Mas para fins de confiança
Foram adicionados ambição e orgulho
Em vezes muito pequenas
Quase que inexistentes.

Eram muito abundantes
Foram, aos poucos, sendo ignorados.
Confinaram-os à banalidade.
Cresceram então os maus sentimentos e se reproduziram.

E hoje os novos corpos
Nascem evoluídos
A suportar tais níveis
De ignorância e falsidade

Mas ainda assim
Por erros da evolução
Alguns poucos nascem
Sem tal proteção.

Pessoas como eu
Que de tantos ferimentos
Adquiriram casca externa
De grossa espessura e material rígido

Enganam-se diariamente os que olham
Distraídos para corpos incrustados.
Sem querer ou saber
Afirmam sermos poço depressivo.

Afirmam por não conhecerem
Os únicos baús que ainda guardam
A essência de um tempo, atitudes e sentimentos
Que se perderam e não voltam mais.

sábado, 1 de julho de 2006

Novos tempos

Em primeiro lugar somos animais
E temos nossos instintos.
Mas de uns tempos pra cá
Tornamo-nos capitalistas
E esquecemos quem éramos.

Inventamos um negócio promissor
Daria certo se nossas raízes não o negassem.
Garantia de cotidiano melhor para toda uma vida
Por vezes estragado
Conforme nossa natureza.

Ainda assim estava indo bem
Mas mudaram o jeito de sê-lo
Era sutil, acordo silencioso.
Nada difícil de oferecer,
Apenas surpresas e lealdade.

Acontece que nunca estamos satisfeitos
E transformamo-lo como queremos
De tanto molda-lo ficou disforme
E hoje além de não sabermos mais como é
Ainda nos perguntamos sobre o que é.

Em tempos como esse devemos lembrar
Como antes era o amor
E tentar reatar o nó que em algum momento se soltou
Para não deixar que tudo se perca
Sem vontade.