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segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Sonhos não realizados

Já anoiteceu há algumas horas.
Saí, olhei para o alto em busca da lua.
Não a encontrei.

Talvez apenas não tenha
olhado para o lado certo,
mas bem que eu queria vê-la.

A lua me lembra seu jeito,
não sei o porquê, mas lembra.
E lembra as vezes que estivemos juntos.

As vezes que, em imaginação,
voltávamos de mãos dadas
Banhados pela luz amarelo-avermelhada de começo de noite.

Talvez a lua lembre
das noites em que deitei esperançoso
e sonhei contigo.

Dos sonhos que um dia montamos juntos,
dos sonhos equivalentes que individualmente tivemos
e do jeito estranho que vemos e queremos.

domingo, 3 de setembro de 2006

Nosso mais estranho

Existe um mundo lá fora.
Um lugar hostil, onde não existe cooperação,
Onde iguais se desconhecem e são estranhos
E que nunca valeu a pena se manter nem descender.

Pessoas em busca insana
Pelo seu estado perfeito.
Enfim conseguiram então:
Escondendo-se uns dos outros.

Eis que a perfeição conquistou
Completo espaço em almas humanas
E os sentimentos incoerentes, incertos e não-controláveis
Foram abolidos de corpo e pensamentos.

Os alimentos tornaram-se então
Óleos prontos, a diminuírem a corrosão.
Bebidas energéticas reformuladas
São somente combustíveis, sem cor ou sal.

Nesse canto perdido no tempo
Sem vida: alegria ou tristeza.
Sem novidade na rotina eterna
Renasce, quase sem querer, um movimento familiar, mas desconhecido.

Sons e aromas diferentes
Pairam no ar.
Então se fez a estranheza
De novo ser no meio.

Fico feliz por termos saído de tal estado.
Independentes de mergulhados nesse poço
Temos nosso mundo,
Perfeito, irreal.

Somos o que construímos
Personalizados e distantes de tudo.
O que está ao redor perturba, tenta contaminar,
E se frustra: não nos deixamos abater.

Vivemos nosso sentimento estranho
De cumplicidade mútua e verdadeira
Que causa assombro e incomoda outros.
Nosso mais sincero amor.