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domingo, 19 de novembro de 2006

Perfeição

E se tem a necessidade
de perfeição em curvas e traços
para que nos quais possamos basear
movimento, respiração e arte.

Sem isso nada somos,
nem seríamos pessoas tão pouco.
Sem vida, nem corpo,
sem a nossa perfeição.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Os olhos da alma

Dois anos.
Inocência em idade e espírito.
Sonho bom de criança real
com ausência de responsabilidades posteriores.

Tempo bom,
tempo que não volta,
deixa saudade,
olhos sinceros.

Olhos cujas íris exibem uma alma, algumas vivências.
Poucas, é verdade,
mas reais, sinceras no que mostram,
confusas no que sentem.

Sim, é verdade,
confesso que, claro, também me vejo em ti,
um Felipe de anos atrás.
Mais um que gostava de acordar.

Hoje é complicado,
já vejo minha rotina como difícil.
Difícil por me separar, pelo fato de ter pensamentos próprios,
princípios próprios.

Mas a questão é que você me veio aos olhos.
Os mesmos olhos que se mostram observavam,
se firmaram.
Num ponto, num tempo.

E assim foi como você veio a mim.
São fortes os laços que eu percebo que nos une,
mas temporais.
E se findarão ao fim de um ciclo, duas semanas.

Não acredito, porém, que virá a se findar tão facilmente,
acredito e venho a pedir que também acredite.
E além disso, que force, que cobre do destino
para que se mantenha melhor.

Venho a pedir, mas não quero resposta formal,
quero poder novamente ver em seus olhos e
assim me sentir confortável, esclarecido.
Entender sua resposta, nosso convívio.

A amizade é sincera, sinto isso,
assim quero manter, com sinceridade.
Mas não só sinceridade, quero que seja firme,
forte.

As aulas forçaram, fizeram seu papel,
cabe agora, que estão terminando,
fazermos o nosso
e eternizarmos o cotidiano.

Por fim obrigado,
talvez eu tenha necessitado mais da amizade do que vice-versa,
mas desejo apenas que continue, e peço sua colaboração.
Lembre-se: verei em seus olhos!

domingo, 5 de novembro de 2006

Corpo: sem alma, sem nada

Homem, produto da natureza
Que a consome e a transforma,
A torna artificial,
Tal qual o ser humano.

E nada mais natural que sentir,
Sentir sem poder,
Nem poder impedir,
Mas em vezes ter de conter, é verdade.

Mas, se bem que, ainda mais natural
É sentir-se artificial.
Tudo sofre, sofrerá ou está sofrendo
Transformações.

Tais mudanças obrigadas e forçadas em essência
Afetam não apenas o que fazemos,
Mas também como e o quê sentimos
E aos poucos conseguimos deixar de ser o que fomos.

Aos poucos dando ouvidos à praticidade
Vamos deixando de sentir as contorções da alma,
Deixamos só corpo
Ficamos só, em artifício.

Ocupamos o tempo
Pois incredulamente o ócio
Passa a gerar sentimento
Que não mais deve ser sentido.

Assim, sem ócio ou sentimentos
Trabalhamos e estudamos
O que aconteceu, acontece ou por que acontece
Diminuindo a natureza a meras expressões banais.

Essa única força que ainda sente e transmite
Agora chora e prefere não acreditar
Que ficamos assim e deixamos assim quem ainda não está.
E seus sonhos não são mais do que expressões agradáveis.

O pior não é o produto final,
Mas como a transformação é feita
De início transbordamento de alma, excesso de sentimentos.
E os sentimentos traem e se auto-destroem.

Claro, não que seja a vontade deles,
Mas cutucam, mostram que estão ali
E a artificialidade de outros que insistem, equivocadamente, a se autodenominarem pessoas
Deixa a armadilha, e a ingenuidade e inocência do amor o entrega ao predador.

Assim, mais um, dentre tantos outros
Tira de si sua capa, arranca o conteúdo
E recoloca a carcaça, enrugada e cansada,
E é pessoa, nominal e estatística, numeral. Só isso!

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Eis a lua

Essa noite terei de dormir
Sem ver a lua.
Chuva agradável
Faz questão de marcar presença.

A admiração da lua tem sua explicação.
Nunca esteve tão próxima de todos,
Mas a preguiça de olhar para o céu durante a noite é mais forte
E sua beleza se oculta sem querer.

Quando se impõe a ela sua atenção
É simples a semelhança que possui
Com cada alma humana,
Cada Ser humano.

É bela em forma,
Oculta em mistérios,
Inalcançável em distância,
Pobre em atmosfera.

Em tempo majestosa
Tal qual uma pessoa qualquer
Com suas fases
Segredos e planos.

O importante está na maneira
Como encontrou para se mostrar:
Em unidade apagada.
Em espelho iluminada.

Exatamente como qualquer um,
Ou ao menos como eu
Precisa de brilho e força
Para se manter.

A Terra com seu campo
Concede a força de bom grado.
O Sol com suas reações
Concede o brilho sem saber.

A existência de fato era pouco para si,
Conquistou movimento, força e brilho
E assim se mantém em infinita rotação
Mostrando-se e se escondendo, conforme seu humor.

E então assim não fazemos?
A vida me dá luz, mesmo sem saber.
Os amigos me dão força, que é mantida
Mesmo quando um mundo me rouba a luz.

Ainda que escondido, sem brilho ou beleza
O movimento ordenado e cíclico é mantido
Pela ação consciente, instantânea e involuntária
Do campo gravitacional das amizades.

Amizades que juntas têm valor de Terra.
Algumas, é verdade, são cúmplices do roubo de alegria
Com a promessa de divisão do material furtado.
Outros, porém se esforçam a me manter até que o resgate seja pago.

E nessas voltas centrípetas incontáveis,
Nesses roubos periódicos com data certa
A vida se confirma e se intensifica,
E antes de nascer já deixa prontos os sentimentos.

Assim, no dia a dia da respiração
Temos, pois que a alma bombeia,
O corpo transpira
E se sente a emoção.

Emoção de sentir,
De poder ceder e receber
Os mais variados sentimentos,
Nem que seja como a lua, sem saber.

Ingênuo convívio

Momentos duram frações de segundos
E diz o senso que a vida
É formada por eles
Seriam muitos então os momentos a cada um.

Mas essa essência da alma transfigurada em corpo
Nada seria se fosse formada por simples
Intervalos de tempo
Sem sentido, mas cadenciados.

A vida é a arte de respirar suavemente
E é assim que se respira nas melhores experiências.
A vida se mostra e se renova
E são as outras vidas que nos renovam.

Vida assim como a sua.
Confesso que nunca achei que fosse
Aprender com sua vivência,
Sua forma de respirar.

E foi assim, entre tropeços e brincadeiras
Que começou a se criar intimidade
De amizade ingênua
Gostosa de se manter.

Ensinamentos que aprendemos ao longo de muito tempo
Uns obrigados
Outros despercebidos
Assim se faz com nossa amizade.

Eternos desentendimentos engraçados
Diária presença de atenção
Busca perfeita do que é bom
Companheirismo que não expressa outras vontades.

Vontades que dão sustentação
Ao convívio feliz e amado
Num amor fraterno:
Somos nós nessa nossa amizade.


Dedicado a uma pequena grande amiga, nas circunstâncias de quebra do dia a dia.