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domingo, 5 de novembro de 2006

Corpo: sem alma, sem nada

Homem, produto da natureza
Que a consome e a transforma,
A torna artificial,
Tal qual o ser humano.

E nada mais natural que sentir,
Sentir sem poder,
Nem poder impedir,
Mas em vezes ter de conter, é verdade.

Mas, se bem que, ainda mais natural
É sentir-se artificial.
Tudo sofre, sofrerá ou está sofrendo
Transformações.

Tais mudanças obrigadas e forçadas em essência
Afetam não apenas o que fazemos,
Mas também como e o quê sentimos
E aos poucos conseguimos deixar de ser o que fomos.

Aos poucos dando ouvidos à praticidade
Vamos deixando de sentir as contorções da alma,
Deixamos só corpo
Ficamos só, em artifício.

Ocupamos o tempo
Pois incredulamente o ócio
Passa a gerar sentimento
Que não mais deve ser sentido.

Assim, sem ócio ou sentimentos
Trabalhamos e estudamos
O que aconteceu, acontece ou por que acontece
Diminuindo a natureza a meras expressões banais.

Essa única força que ainda sente e transmite
Agora chora e prefere não acreditar
Que ficamos assim e deixamos assim quem ainda não está.
E seus sonhos não são mais do que expressões agradáveis.

O pior não é o produto final,
Mas como a transformação é feita
De início transbordamento de alma, excesso de sentimentos.
E os sentimentos traem e se auto-destroem.

Claro, não que seja a vontade deles,
Mas cutucam, mostram que estão ali
E a artificialidade de outros que insistem, equivocadamente, a se autodenominarem pessoas
Deixa a armadilha, e a ingenuidade e inocência do amor o entrega ao predador.

Assim, mais um, dentre tantos outros
Tira de si sua capa, arranca o conteúdo
E recoloca a carcaça, enrugada e cansada,
E é pessoa, nominal e estatística, numeral. Só isso!

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