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quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Eis a lua

Essa noite terei de dormir
Sem ver a lua.
Chuva agradável
Faz questão de marcar presença.

A admiração da lua tem sua explicação.
Nunca esteve tão próxima de todos,
Mas a preguiça de olhar para o céu durante a noite é mais forte
E sua beleza se oculta sem querer.

Quando se impõe a ela sua atenção
É simples a semelhança que possui
Com cada alma humana,
Cada Ser humano.

É bela em forma,
Oculta em mistérios,
Inalcançável em distância,
Pobre em atmosfera.

Em tempo majestosa
Tal qual uma pessoa qualquer
Com suas fases
Segredos e planos.

O importante está na maneira
Como encontrou para se mostrar:
Em unidade apagada.
Em espelho iluminada.

Exatamente como qualquer um,
Ou ao menos como eu
Precisa de brilho e força
Para se manter.

A Terra com seu campo
Concede a força de bom grado.
O Sol com suas reações
Concede o brilho sem saber.

A existência de fato era pouco para si,
Conquistou movimento, força e brilho
E assim se mantém em infinita rotação
Mostrando-se e se escondendo, conforme seu humor.

E então assim não fazemos?
A vida me dá luz, mesmo sem saber.
Os amigos me dão força, que é mantida
Mesmo quando um mundo me rouba a luz.

Ainda que escondido, sem brilho ou beleza
O movimento ordenado e cíclico é mantido
Pela ação consciente, instantânea e involuntária
Do campo gravitacional das amizades.

Amizades que juntas têm valor de Terra.
Algumas, é verdade, são cúmplices do roubo de alegria
Com a promessa de divisão do material furtado.
Outros, porém se esforçam a me manter até que o resgate seja pago.

E nessas voltas centrípetas incontáveis,
Nesses roubos periódicos com data certa
A vida se confirma e se intensifica,
E antes de nascer já deixa prontos os sentimentos.

Assim, no dia a dia da respiração
Temos, pois que a alma bombeia,
O corpo transpira
E se sente a emoção.

Emoção de sentir,
De poder ceder e receber
Os mais variados sentimentos,
Nem que seja como a lua, sem saber.

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