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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Suicídio

Uma agonia
de continuar no que é completamente contra.
Com a incerteza
Se dará em algo melhor.

Uma arte
embutida em revolta.
Com imaginação
se tem um fim original e memorável.

Necessidade de chamar a atenção,
reverter desespero em sofrimento
e dor em morte de sumiço
com choro dos que ficam.

Lapso temporal,
vontade de encarar o desconhecido.
Vencer a distância do não-vivo
e quem sabe ter algo mais verdadeiro com o que conviver.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Mundo ideal

Gente bizarra
que conversa sobre nada
debatem seus próprios preconceitos
e batem e rebatem ofensas mútuas sem sentido.

por favor!
Olhem para seus próprios umbigos.
Além deles existe um mundo que comenta
seus valores, sorte e comportamento.

Se sozinhos fôssemos todos
gênios não seríamos nunca, sem excessão.
Seria mais interessante comer
a teorizar sobre qualquer coisa inútil que o cerca.

A beleza está em não ter nada a provar para ninguém.
Em ser quem é por ser mistura de quem foi
e não sabia que era sem ter de demonstrar coisa nenhuma.
Aprenda a ser em essência animal e pessoa especial. Comum.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Malabares cíclicos

Se a vida se confirma
a cada respiração
de que adianta ficar à toa
sem contribuir para a letra dessa canção?

Pra que nascer?
Se seu tempo próximo será jogado fora.
Se não viverá seus segundos.
Se vai gastá-los embaixo do sinal.

Fingindo que trabalham
deixam de brincar.
Fingindo que respiram
deixam a ingenuidade de lado.

Quem são senão o que não somos?
Restos, falhas do ideal.
Sistemas corrompidos que negam a idéia original.
Façamos o comum: fechemos os olhos e mudemos de calçada.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Multidão

“As melhores mulheres são aquelas que podemos comprar. Você vai, paga, se ‘diverte’ e vai embora. Aquela que escolhe para morar é uma das piores, quando não a pior. Essa é chata, sempre quer saber onde você está, exige satisfações e nem sempre está disposta a se ‘divertir’.” – Opinião de um homem qualquer de qualquer lugar, comum.
     “De cada dez pessoas, nove querem te derrubar e uma não tem nada com isso.” – Conselho classificado como indispensável quando se precisa de ajuda.
     “Você não pode falar mais alto do que eu, porque você é só um empregado. Se isso fosse uma multinacional e eu fosse seu patrão...” – Indignação de quem nada é e não sabe.
     Sim, essa é a realidade, digo isso porque nos últimos meses tive contato com diversas pessoas que por um lado me fizeram crescer, por outro criaram um nojo em mim que até então não tinha sido apresentado.
     São pessoas que riem, brincam, trabalham, reclamam, são amigas, duas-caras, medrosas, covardes. Cada qual com seu jeito de ser, mas a maioria muito parecida.
     Quais são essas pessoas não é de fato o que importa. O que chama minha atenção é o comportamento delas. Sabe, a mim pelo menos não interessa se a mulher com quem me casarei será resmungona, chata, o que for, o que interessa é seu amor, cumplicidade, companhia, sinceridade. Sentimentos e gestos que não estão à venda, além disso, quem seria eu para reclamar, uma vez que, dentre amigos, 90% dos comentários se referem aos corpos de outras mulheres?

Não é de hoje que se sabe que o mundo é hipócrita, que a corrupção está entranhada em todas as sociedades e que nunca o ser humano se auto-prostituiu tanto do que como faz agora. Talvez estejamos acostumados a levar nossas vidas dessa maneira, com essa gente.
     E por mais que possa ter parecido eu não me vejo como a imagem da perfeição. Muito pelo contrário, afinal sou egoísta, turrão, respondão, sempre machucando aqueles que amo. Bem diferente do que seria alguém perfeito e pior, além de não ser, ainda critico os demais, como agora.
     “Então porque diabos esse cara me fez ler esse monte de besteiras?” Você deve estar se perguntando depois que chegou nessa parte. A resposta é: não sei. Vejo que está tudo errado e me sinto imensamente mal por, além de não ajeitar, também fazer parte disso.

Caso tenha pedido para ler, acredite, teve um motivo especial. Provavelmente foi para explicar porque estou tão distante ou chateado há algum tempo. Perdoe o texto confuso, trata-se de um desabafo, qualquer dia, talvez em outra crise eu consiga expor melhor o que eu realmente queira dizer. Enfim, desculpe caso tenha te machucado também, não foi minha intenção.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Evolução às avessas

Entre avanços e retrocessos,
homens deitam, choram: sorriem.
Entre sinais de agonia existem
cada um por si em cada pulsação.

Respiramos o ar de escapamentos:
esgoto gasoso.
Sentimos sensações pré-fabricadas:
corações suicidas.

Mentes abertas a entender problemas
e incapazes de criar soluções.
Vendo tudo se perder,
sem nem pensar em impedir.

Desgaste de corpo, alma e pensamento.
O que há de novo é poluição.
Suja essas vidas irracionais
com a falta do bom senso das próximas gerações.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Descrição (N. D.)

Vida que não se vive mais.
Boa lembrança de um passado puro.
Incentivo de hábitos sinceros.
Fina loucura em desencaixe incrédulo.

Ansiedade na mais sensível agonia.
Força em crença de proteção não-invasiva.
Amargura pela falha de não-acertar.
Esperança em sonhos por sobre o real.

Ingenuidade florestal
De amor intenso e calado
Como flores que embelezam um campo
Se entrega, discreta, calada.

Raios de aurora filtrados
Por entre densos e esparsos espaços
Revelando-se fina trégua.
Vida que não se vive mais.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Trevas de um deserto

A vida é madrugada
Com um toque de alvorada
Fina brisa gélida acrescentada
Junto a densos olhos fechados.

Escuridão vazia
Que esconde coisa nenhuma,
Mas transborda e se permite sentir
Ainda que sem ser vista.

Brilhos, reflexos da lua e gotas de chuva
Disfarçam a realidade para os que precisam e podem sonhar
Enquanto pioram o terror
Daqueles que não possuem tal luxo.

A madrugada é tenebrosa
Coisas estranhas acontecem
Enquanto não chega o raiar do sol.
Enquanto o homem não se purifica de si mesmo.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Terra

O futuro são histórias
Lembranças sombrias
De vidas desgraçadas
Com suas respirações dolorosamente mesquinhas

O futuro é o fim
Dos princípios um dia seguidos
E da decadência da transmissão de sentimentos
Para o sentir de emoções fúteis, racionais unicamente.

O futuro é o rompimento
De promessas, juramentos e planos
Todos deixados para trás devido a algo maior
Cujo valor será/é inexistente

O futuro é esperança
Tirada de nossas crianças a golpes impiedosos
Golpes em sua educação, nossa cultura
Estrangulando, traicoeiramente, seus horizontes.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Incompreensibilidade do amor

Ninguém consegue fazer
O que você me faz.
Consegue me deslocar do real.
Dos meus problemas reais.
Da minha vida medíocre.
Para o seguro do seu diálogo.
Para o aconchego da sua voz.
Aí, sem querer, nem saber, consegue
Transformar em tão pouco tempo
O jeito de ver o mundo.
Tudo parece mudar para um lugar tranqüilo
Para uma forma de se manter quase mágica.
Sem dependência alguma, a não ser, claro do seu diálogo.

Sabe, a interpretação das coisas é necessidade humana,
Mas existe um sentimento dentre essas coisas
Que ninguém conseguiu entender ou explicar.
Talvez porque não tenha sido feito para ser entendido,
Mas para ser sentido.
Fico feliz. Sinto-o por ti.
Sabe, eu amo você!

sábado, 12 de maio de 2007

Liberdade justa

O que o fôlego de vida
De uma noite mal dormida
Tem para nos passar
Além do incrível desejo de gritar?

E a justiça tão surda,
Tão cega e tão muda.
O que tem a nos provar
Senão seu único dever, o de errar?

Aqueles seus oprimidos o que sonhar
Senão outro mundo onde felizes possam ficar
E ser o que nunca foram: livres e soltos?

Os pássaros desse novo lugar são loucos
Vivem sem dever deveres
Com seus próprios afazeres.

domingo, 15 de abril de 2007

Esperança

Se a esperança é a última que morre, com certeza é a primeira que adoece. Ela fabrica um tumor que tira de si quase todas as forças até que agoniza, em suspiros perdidos e fracos. Sem, no entanto morrer.

     Deixar de acreditar nas pessoas uma vez ou outra na vida é compreensível e até benéfico, pois nos mostra um pouco como de fato o mundo realmente funciona até que tenhamos alguma recaída e voltemos a nos decepcionar e aí espalhamos a todo mundo que nunca mais acreditaremos em ninguém e bla bla bla.
     Não é dessa esperança de que falo principalmente. Refiro-me àquela credibilidade que depositamos em nós mesmos e parece nunca desabar, mesmo nos piores momentos, se não cometermos suicídio, sempre acreditamos que no final tudo vai dar certo, seja por nós ou pela força que os mais chegados oferecem nessas crises existenciais.

     O perigo está quando essa esperança no eu se esvai. E é essa parte que estou vivendo atualmente. Seis dias por semana (quando não tem feriado) acordo cedo e é como se de nada valesse tal esforço. Perdi aquela vontade que só eu tinha. Mesmo com as decepções revivi projetos, mudei suas dinâmicas, coloquei mais gás no tanque e aí chega o ponto que parece não significar nada.
     Aos poucos estou perdendo contato com as pessoas que sempre gostei. Tenho consciência que a culpa disso é inteiramente minha, uma vez que eu também não estou correndo atrás, ao invés disso estou aqui escrevendo mais um texto bobo no pc.

     Mas desconfio que o que desencadeou isso tenha sido a nova ocupação que arrumei (meu pai arrumou pra mim...). Nunca achei que trabalhar num ponto de táxi fosse tão ruim. Vou listar um pouco do que já vivi naquele canto perdido na tijuca:
     A primeira semana foi uma das mais difíceis fisicamente falando. Tenho problema de coluna e de repente tive de ficar 7 horas ininterruptas de pé, o que provocava um imenso desconforto no final de cada dia, aos poucos isso foi sendo superado conforme o corpo foi se acostumando. Certo dia um garoto de rua foi chutado por uma pessoa que passava na calçada e não quis ajuda-lo com dinheiro, o menino revoltado perseguiu o agressor com uma pedra na mão. Num outro dia eu fui ameaçado com uma faca por um assaltante que não acreditou que eu não tinha dinheiro, acabei tendo de enfrentá-lo, só com palavras, mais por eu ser desligado do que por coragem em si e ele acabou indo embora (e no bolso tinha uns 15 reais que continuaram comigo).
     Na semana retrasada foi a vez de um gato preto morrer (vai ver que o azar que ele transmite voltou para ele mesmo) “atropelado”. Na verdade ele tentou atravessar a rua e bateu com a cabeça no pára-choque de um santana que estava passando, rodou com o impacto e ficou estrebuchando e pulando freneticamente até enfim morrer e ser levado pelo guardador de carro até a lixeira.
     As palmeiras mais nojentas estão ali, os taxistas mais nojentos estão ali, os guardas mais nojentos estão ali, os camelôs mais nojentos estão ali e até os canteiros mais nojentos (servem de casa para ratazanas durante o dia) também estão lá.
     Tirando tudo de ruim que o lugar por si só traz para quem quer que fique observando durante 7 horas ainda tem os caras que “pagam” meu salário. Afinal, como todo faz-tudo tenho que, inclusive, cobrar os caras e proibi-los de trabalhar caso algum deles não pague ao chegar no ponto. Fora que mais ou menos a cada 30 minutos eu levo uma bronca de algum deles (quisera eu que isso fosse exagero, desconfio que seja mais que isso) e adivinha quem são os que mais me cobram? Isso! São os mais errados! Não é legal?

     Bem, tirando a parte do trabalho em si essa experiência está sendo válida pelo fato de ficar na rua tempo suficiente para ver o que nela acontece de verdade e, retornando ao título do texto, não sei onde está a esperança. Pelo menos não a vi nos menores de rua que assaltam as crianças que vão para o colégio às 7:30 da manhã, muito menos nos trombadinhas alvejados pelos seguranças do shopping.
É difícil, e é essa a realidade dali daquele ponto na tijuca onde eu fico. Não encontrei esperança nos olhos daquelas pessoas, mas enquanto eu tiver algum pingo dela nos meus tentarei dividir com aquelas que, de fato, não sabem se terão algum amanhã.

Esse foi mais um desabafo do que um texto qualquer, não liguem para a falta de coesão/coerência ao longo do texto, acabou que cada parágrafo abordou alguma coisa distinta sem ligação com os demais. Acontece =P

sábado, 10 de março de 2007

Indefinível

O que é essa essência
Que anda por caminhos tortuosos
Com passos incertos
Por vezes certos de que
Certeza alguma será testemunhada?

O que está atrás desse brilho no olhar
De olhos vermelhos por madrugar
Em fitar a escuridão sufocante
Que o sol não consegue clarear
E que deixa escorrer a familiar umidade salgada?

O que motiva esse sorriso
De orelha a orelha com o raiar do dia
Protegido por uma vontade
Que se apóia em aparências
Que negam seu interior?

O que sugere essas ações
De mãos livres
A tentar criar civilizações
Que de tão pequenas diminuem ainda mais
O que quer que essas mãos transformem?

O que permeia essa existência
Com forma incerta tal qual qualquer organismo
E pensamento puro, inexistente e estranho
Que não quer lugar nenhum, vida nenhuma
Só a segurança do que não é humano?

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Manhã de verão

Um dia, no meio das férias,
A gente acorda tarde como de costume
Sem nenhuma pretensão
Com aquela sonolência de dia de folga.

As horas vão passando
E vamos fazendo as mesmas tarefas.
Pessoalmente ligo o computador
E perco horas jogando conversa fora.

Então de repente a gente esbarra com alguém.
Mas é um alguém que não é qualquer um.
É uma pessoa especial
Incrivelmente perfeita.

Tão incrível que a gente sente insegurança
Não por ela,
Mas por receio de não ser suficientemente bom
Para acompanhá-la.

Como alguém consegue ser assim?
Tão... Tanto?
Sendo incredulamente difícil
De ser ilustrada em simples palavras?

E é tão bom que
Mesmo com a insegurança
A gente se sente bem
Porque ela nos faz sentir bem.

Tudo começou no meio das férias
Num dia sem maiores pretensões
Capaz, contudo, de transformar nossas vidas
Em uma existência maravilhosa.

Para sempre!

Cidade Maravilhosa

A semana terminou e estamos agora vivendo o primeiro dia de mais uma semana. O tempo continua sem dar trégua enquanto nós assistimos passivos nossa própria decadência.
Eu, como tantos outros, vi na tv a história da criança arrastada por sete quilômetros num carro após uma tentativa de assalto e, claro fiquei horrorizado com tamanha crueldade.
     Mesmo com a freqüência das atrocidades na cidade não consigo acreditar que esse seja o retrato do Rio de Janeiro. Na verdade prefiro acreditar que tudo isso seja apenas momentâneo, que terá um fim rápido, que se transformará em apenas lembranças ruins de um tempo infeliz. O ruim é que já não tenho mais tantas esperanças. E as esperanças se vão porque o problema é controlável, afinal somos nós que provocamos tais situações, mas não sabemos mais como exercer esse tal controle, afinal agora é gente contra gente.
     Ainda assim há algo que assusta mais do que as próprias tragédias em si: ao questionar vários amigos sobre esse problema a maioria deles disse que a única solução é sair daqui o mais rápido possível e ir morar em um lugar mais tranqüilo e seguro. Eu mesmo já pensei nessa solução e inclusive gostaria de viver mais para o interior, mas não necessariamente pela segurança em si, mas pela calma que a vida do interior tem em relação a dos grandes centros. A questão é que mesmo fugindo vamos deixar pessoas para trás, vidas para trás, não vamos solucionar, vamos apenas deixar de viver o problema.
     Sugiro que tentemos mudar essa realidade, não precisa ser com grandes ações ou manifestações, acho que o ideal é mudarmos nossa forma de pensar, deixar de colocarmos sempre nós mesmos à frente de tudo e tentar impedir que nós sejamos contaminados com todo o mau humor presente no nosso dia-a-dia. Não, isso ainda não é o suficiente, mas acredito que ajuda muito mais do que simplesmente abaixarmos a cabeça e fazer as malas.
      Eu acredito em um Rio de Janeiro diferente, um lugar que possamos andar na rua de madrugada sem a menor preocupação, um lugar sem toque de recolher, um lugar onde as pessoas não tenham motivos para viverem tristes, um lugar tranqüilo, sem estresse. Acredito nas pessoas e acho que a chave para mudar essa realidade está em nós, nas pessoas!
E você? Em que Rio de Janeiro acredita?

sábado, 20 de janeiro de 2007

O teste do vento

- Você confia em mim? - Perguntou Sofia a Mésmero depois de notar sua expressão de dúvida.
- Venha aqui fora, quero mostrar-lhe algo.
Saíram para os fundos da casa onde o vento entortava as árvores e provocava nelas um som pouco convidativo.
     Depois de olhar um pouco para as árvores, sentir o vento nos cabelos e respirar calma e profundamente, Mésmero fitou Sofia como se para analisar se ela realmente ia entender o que ele estava para dizer.
- Então, o que queria me mostrar? – Perguntou Sofia visivelmente impaciente.
- Olhe para as árvores, veja a força com que o vento as empurra, mas sem chegar nem perto de quebrá-las ou arrancá-las. Perceba que elas dobram ao máximo sem prejudicar sua estrutura. Não subestime, contudo, a força do ar em movimento. – falou, observando se Sofia prestava atenção em suas palavras. Conforme constatou as feições confusas do rosto de Sofia decidiu continuar, tentando ir direto ao ponto com sua lição.
- Quisera eu que nossas palavras fossem tão fortes quanto as árvores que permanecem ao longo de gerações e gerações, vivas, mas quase da mesma forma, no mesmo lugar em que foram plantadas, mesmo que em circunstâncias diferentes, sem que o ar as quebre ou as tire de lá. Mas o que quer que falemos não resiste ou perdura por nada, mesmo uma fina brisa leva consigo o que quer que tenhamos dito, sejam promessas ou verdades, das mais absolutas. Esse é o alicerce que escolhemos para construir nossa sociedade e será o símbolo de nossa ruína. Nossas palavras não são fortes para resistir ao vento, por isso não posso afirmar com toda a sinceridade que confio em você, porque palavras, palavras voam ao vento.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Sonho

Friozinho bom que a noite trás
em meio a calafrios e mudanças de posição,
de fechar os olhos e admiração
é que o pensamento foge ao abrigo do coração.

Nesses bons momentos a escuridão se ignora
e imagens se colocando e trocando
um filme formam nessa hora
numa parada à perfeição de um doce momento.

Esse quadro que é pintado sem história,
em telas de realidade não vivida,
com tintas que não evaporam de sentimentos,
tomam forma os desejos abafados por atenção.

É agora, nesse instante,
que o amor permanece como constante.
Devido ao filme de romance sem bilheteria
visto por um, dividido por dois.

São esses os sonhos
que se ocupam em imaginar sua essência:
o amor e carinho dos que sonham
com seu alguém, de todos o especial.

A arte de ser: poeta

Não faço idéia do que seja ao certo um poeta.
Mas o imagino como uma pessoa que sonhe em poder dormir com a porta aberta,
Com a mata replantada
E com a fome enfim morta.

Acho que é o tipo de cara
Que não veste a educação manchada
Nem faz da mancha a violência
Ou a mantenha por quaisquer bons modos novos.

Deve ser aquele que ama perdidamente
Vários amores, nem que seja todos num só.
E os contorna e colore para que não os perca
Nos finos traços do grafite.

Pode ser que seja rebelde
Daqueles sem causa ou motivo.
Vivendo meio angustiado,
Descontente por isso ou aquilo.

Talvez meio solto,
Hippie de carteirinha
Sempre com o bermudão, camisa florida,
O cabelão e o caderninho no bolso.

Mas com certeza
Um alguém sem explicação
Incompreendido ou repleto de definições.
Humano.

Noite

A noite às vezes é fantástica
Por ela temos acesso à lua e às estrelas.
Temos o tão calmo silêncio
Ouvido e visto.

Ela vem sorrateira, devagar
E toma o dia emprestado para si.
Oferece o melhor ambiente
Para o descanso com seus sonhos irreais.

Mesmo os pobres de sono
Que se colocam a escrever com o gotejar seqüencial dos pingos de chuva noturnos
Não são desprovidos das surpresas sonhadas.
Pois sonhadores que são, mesmo alertas em exceção, ficam a sonhar acordados.

Somos o resultado do dia,
Confirmado ao amanhecer
No início dos desdobramentos da devolução do sol pela lua
Que nem sempre aparece, envergonhada de sua ação.

Humano que sou, apaixonado romântico
Fico aqui a desenhar letras ao longo de linhas perfeitas
Sem esperar, contudo que fique do agrado de alguém,
Mas que tenha sentimento e particularidade cada jogo de palavras rabiscado.

Que seja tal qual um amor, qualquer que seja,
Que tenha em si a humanidade rabiscada
O sentimento desenhado.
Mas que não se vá, como a noite.