Páginas

sábado, 20 de janeiro de 2007

O teste do vento

- Você confia em mim? - Perguntou Sofia a Mésmero depois de notar sua expressão de dúvida.
- Venha aqui fora, quero mostrar-lhe algo.
Saíram para os fundos da casa onde o vento entortava as árvores e provocava nelas um som pouco convidativo.
     Depois de olhar um pouco para as árvores, sentir o vento nos cabelos e respirar calma e profundamente, Mésmero fitou Sofia como se para analisar se ela realmente ia entender o que ele estava para dizer.
- Então, o que queria me mostrar? – Perguntou Sofia visivelmente impaciente.
- Olhe para as árvores, veja a força com que o vento as empurra, mas sem chegar nem perto de quebrá-las ou arrancá-las. Perceba que elas dobram ao máximo sem prejudicar sua estrutura. Não subestime, contudo, a força do ar em movimento. – falou, observando se Sofia prestava atenção em suas palavras. Conforme constatou as feições confusas do rosto de Sofia decidiu continuar, tentando ir direto ao ponto com sua lição.
- Quisera eu que nossas palavras fossem tão fortes quanto as árvores que permanecem ao longo de gerações e gerações, vivas, mas quase da mesma forma, no mesmo lugar em que foram plantadas, mesmo que em circunstâncias diferentes, sem que o ar as quebre ou as tire de lá. Mas o que quer que falemos não resiste ou perdura por nada, mesmo uma fina brisa leva consigo o que quer que tenhamos dito, sejam promessas ou verdades, das mais absolutas. Esse é o alicerce que escolhemos para construir nossa sociedade e será o símbolo de nossa ruína. Nossas palavras não são fortes para resistir ao vento, por isso não posso afirmar com toda a sinceridade que confio em você, porque palavras, palavras voam ao vento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário