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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Delicada descrição

Como lua crescente
Com sua vergonha aparente
Aparece tímida, a hesitar
Mostrar seu resplendor e enfim se completar.

É ainda como manhã calma,
Aurora ocupada em banhar a alma
Transparente das ondas pequenas
Que anunciam lindas manhãs amenas.

Tem imagem bela
Como a princesa mais singela
Daqueles desenhos de contos de fada.
Sendo de todas as personagens a que mais agrada.

Tal como uma manhã de natal
Enche-se de esperança em seu total.
Ainda como aquela angelical menina
Que agora meu caminho ilumina.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Vida e morte sem sentido

É curiosamente desumano
Sentir-se tão mal, sem saída,
Quando caminhamos por um caminho
Que parece tão certo, tão natural.

Mas então chega uma parte desse caminho
Que está tudo igual, tudo na mesma.
E ao mesmo tempo nada é mais familiar,
Forçando a continuação num mergulho de uma loucura cega sem fim.

Desse mergulho vem a sensação de estar perdido.
Nada próximo, nenhum sentimento saciado.
Sem paredes ou chão
É como viver o mesmo sonho ruim diariamente.

Preso dentro da própria vivência mesquinha
Aos poucos perdendo a esperança de saber viver,
Ou apenas a de acordar.
Implodindo si mesmo na tentativa de não sentir mais nada, de não precisar mais respirar.

Ainda como se não bastasse
Todo e qualquer calor humano em volta
Esvai-se. O coração vai ficando frio, cada vez mais frio.
E treme sem abrigo, sem descanso.

Enfim tudo perde o porquê.
A ponto de mesmo sem explicação
Ser quase impossível continuar.
Para que daí venha a última e única sensação.

A sensação que traz a vontade em si
De querer não sentir
Aquela agonia interna insistente,
Aquele aperto no peito intermitente.

A vontade é de morrer, apenas.


Por: Felipe Cabral
Em: 04.11.2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Curso Incessante dos Dias

É, no mínimo, chato
Quando se olha para frente
E a única coisa que se tem a dizer é
“Eu não sei”.

Deixando de fora essa rotina sem graça,
É complicado saber
O que pode acontecer de novo
Que nos motive a encarar mais uma semana.

Ainda mais difícil é quando tal frase
Vem acompanhada de um leve desmoronamento
De sonhos ou certezas boas
Que obriga a refletir sobre o que será do futuro.

E enquanto caminhamos em tropeços,
Enquanto nos confundimos em caminhos sem saída
Vamos perdendo tempo,
Deixando-o escorrer por entre os dedos.

Ao passo que o tempo se esvai
Perdemos a oportunidade de acertar,
De descobrir, confirmar e acreditar.
Mas como amanhã será como ontem, por que se preocupar?


Por: Felipe Cabral
Em: 14.10.2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Continuidade

O tempo caminha
Linear e continuamente.
Não se preocupa com o que vinha
Nem tem o que virá em mente.

Enquanto isso vamos tentando
Nos adequar as suas regras
Inutilmente nos programando
Procurando fugir de suas rédeas.

Nós, humanos, tão patéticos,
Tão previsíveis em nossas tentativas de paz.
Fingindo um mundo ético
Sem perder de vista o vencedor ás.

Acima de tudo o contar das horas é aproveitador
Não sabe ou se preocupa, mas gosta de ver esperanças caírem.
E nós, como tolos, somos um único perdedor
Incansável em deixar essências se esvaírem.


Por: Felipe Cabral
Em: 23.09.2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Racionalidade

Uma vida sem sentimentos é a melhor das utopias.

Corrosão

Lembra quando era criança
E parecia que a vida era um conto de fadas?
Pois é, não tem nada a ver com isso.

É feita na verdade de gente,
Sonhos e encantos.
Cuidadosamente colocados para causar futuras frustrações.

Venho falar do inanimado
Que dura para sempre, desprogramado.
Não sente, não se importa.

A vida em ilusão era bela,
Mas aos poucos se revela
Em sua fina obsessão de transformar gente em pedra.


Por: Felipe Cabral
Em: 18.09.2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Manhãs chuvosas

As manhãs chuvosas são as melhores. As pessoas se apressam mais, cobrem-se mais e deixam passar a beleza que há nesse tempo. A rua parece ser só sua e o carro, como uma pequena fortaleza, vai embaçando quase que exigindo que compartilhemos com ele toda água e ventos e magia. Foi assim, hoje, em um desses momentos, que larguei toda essa frescura e por instantes deixei-me contagiar, sozinho, com esse clima e corri sem guarda-chuva, preocupação ou razão, a não ser a de sentir de novo o gosto das gotas quando tocam os lábios, o poder da água em deixar inúteis os meus óculos e o vento ao jogar meu cabelo sobre o rosto. Nesse pequeno espaço em que o tempo parou como se não fosse voltar revivi a beleza de estar vivo, senti a liberdade, esquecida, novamente. Então, em meio a esse turbilhão de sentimentos que afogaram qualquer pensamento lógico que inconscientemente veio a nascer, meu próprio tempo parou e ainda sem pensar em nada o coração acelerou, a visão, já ruim, ficou mais turva e exatamente nessa hora senti como se estivesse com você, nesse pequeno esquecimento temporal foi como se nada mais importasse, como se nada pudesse nos atingir. Foi como ter certeza que a vida poderia ter sentido novamente, talvez até enquanto ela durasse.
Aí cheguei em casa e vi que estava atrasado para a aula de Cálculo Numérico.

Sim, está bobo, feio e mau. Mas quem se importa?

sábado, 13 de setembro de 2008

Saudade

Saudade da ignorância,
Do tempo que bastava
Correr descalço subindo ladeira,
Chutando a bola para ser feliz.

Daquela recepção familiar
Que o cachorro mais queria participar.
Falta de luz que chamava por diversão
De gente real com tempo corrido.

Pena que a chuva não continuou,
Ficou tempo bastante para rir e cair doente.
O que resta é cicatriz de quando os machucados eram sem querer,
E eram os menores que mais traziam dor.

Hoje está tudo tão sem graça, a diversão tão sozinha.
As rotinas todas pré-fabricadas.
A rua é estranha agora, só usada pelo tempo necessário.
Por isso ser criança é mais fácil, menos preocupante, mais alegre.
Mais humano.


Por: Felipe Cabral
Em: 10.09.2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Andanças

Houve um tempo
Em que o menor caminho era o melhor.
Hoje o melhor é não passar
Por onde o controle é feito de metal e pólvora.

Existiu uma época
Em que eram abençoadas as noites de luar com estrelas cadentes.
Hoje só se vê traçantes que iluminam uma guerra
Disfarçada, escondida e absorvida em nossas vivências.

Tiveram momentos
Em que era extremamente cruel uma briga terminar em morte.
Hoje se abaixa a cabeça e se torce
Para não virar manchete no jornal sensacionalista no dia seguinte.

Ocorreram eras
Em que os conflitos eram acompanhados pela TV.
Hoje ninguém sabe por que, onde ou quando
Vai levar a próxima bala perdida.

Vive-se hoje
Um momento estranho
Onde a confiança tem que ser escassa para manter a sobrevivência,
Onde os caminhos têm que ser mudados para poder chegar respirando em casa,
Onde a noite alerta para o toque de recolher,
Onde pessoas agregaram um falso poder que garante irracionalidade,
Onde a falta de tiros constrói um dia atípico,
Onde a vida não vale mais que a menor fração da moeda de troca corrente.


Por: Felipe Cabral
Em: 05.09.2008

Raiva de tudo que tenho visto das 7:00 às 2:00 da manhã! A grande maioria das pessoas não deveriam ter sentimentos. Ao menos seriam autênticas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Imaginação2

Os acontecimentos apenas imaginados
Por forças de sentimentos não controlados
São vida em esperança,
Morte em decepção.

Malditos momentos fabricados
De suposições gentis
Que a mente frustrada cisma em criar
Para fingir um estado aconchegante.

Se ao menos uma parcela de tais momentos
Enquadrassem-se no conjunto realidade
Meses inteiros seriam menos pálidos
E o fútil menos importante.

A única cor que ainda pinta os dias
É aquela formada pelo falso,
Ainda que criando um cenário sem brilho
É o pouco de motivação que ainda resta a impulsionar a respiração.

Por: Felipe Cabral
Em: 04.09.2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Auto-negação

Quero uma possibilidade
Viável e que eu saiba cuidar
Porque é triste quando a única opção
É não ter nenhuma a escolher.

A certeza cruel
Que a época errada
É apenas a que se vive,
Apenas a que se é preso.

O fino gosto turvo e
Ferruginoso, garantindo que
Sua essência está se esvaindo
E seu fôlego então ficando para trás.

A vontade de querer também é turva.
Confunde-se com escolhas que têm que ser precisas,
Então a vontade vai morrendo, os sonhos bons esmorecendo.
E num instante tudo passa a formar uma visão estática, dolorosa.


Por: Felipe Cabral
Em: 20.08.2008

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cotidiano

Momentos sem graça
Que arrancam de forma avassaladora
Toda a vontade de arriscar
E a substituem pela de ficar calado e observar.

Antes fosse a condição de espectador, apenas
A visualizar as passagens sem fim.
Sem nunca sentir as dores finas e agonizantes
Como agulhas a perfurar a alma.

Da mesma forma que um palhaço sem platéia ou espetáculo
Cuja maquiagem perdeu a serventia
E seus dias passam provando-o
Que sua existência não tem mais justificativa.

Nesse tabuleiro de regras grotescas
O tempo como mandante segue sem parar
Com sua doce obsessão em saber de que maneira acabará
Nossas formas baseadas em iludidas condições.


Por: Felipe Cabral
Em: 19.08.2008

Vida que segue

O desestimulante natural do ser humano
Talvez até o mais forte
É a falta daquilo que o afirma
Que o renova e provoca respirações tranqüilas.

Quando se sente que sua afirmação
Está tão próxima e nem sequer se consegue olhar
E ainda ter mais chance de não poder com ela ficar
Do que de fato minha vida a felicidade poder transformar.

O melhor é não saber o que quer
E mesmo se soubesse não ter certeza se seria o certo.
Andar conforme as tempestades mudam o caminho
Na vã esperança de encontrar a aurora eterna.

Aquele pote de ouro no fim do arco-íris talvez não exista
Nem de fato o próprio arco a guiar para lugar algum.
Mas nesse ponto materializa-se uma ponte entre olhares
Responsável pela certeza que a vida pode continuar


Por: Felipe Cabral
Em: 19.08.2008

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sonho

Friozinho bom que a noite trás
No meio de calafrios e mudanças de posição
De fechar os olhos e admiração
É que o pensamento foge ao abrigo do coração.

Nesses breves momentos a escuridão se ignora
E imagens se colocando e trocando
Um filme formam nessa hora
Numa parada à perfeição de um doce momento.

Esse quadro que é pintado sem história
Em telas de realidade não vivida
Com tintas que não evaporam de sentimentos
Tomam forma os desejos abafados por atenção.

É agora nesse instante
Que o amor permanece como constante
Devido ao filme de romance sem bilheteria
Visto por um, dividido por dois.

São esses os sonhos
Que se ocupam em imaginar sua essência:
O amor e o carinho dos que sonham
Com seu alguém, de todos o especial.


Por: Felipe Gomes
Em: 05.01.2007


Antigo, mas achei fuçando outras coisas aqui, como gosto muito desse, tá aí.

sábado, 16 de agosto de 2008

Manhã de Domingo

Manhãs de domingo são tão especiais.
Tão cheias de si que se bastam
Em descanso, harmonia e imprevisibilidade.

Assumem o caráter de manual de instruções
De como de fato a vida de quem sabe aproveitar
Deve ser levada em suas dosagens.

É como o ideal de família
Com suas imperfeições e sentimentalismos,
Carregando o tempo com lembranças gostosas
Tornando-o tão material quanto a natureza possa permitir.

A felicidade, se existir,
Deve ser como uma manhã de domingo,
Como os estágios do ser humano em família
Desde filho até avô.

Ah! Se todos os dias fossem domingo
Com suas manhãs tão cheias
De seus momentos, tão certas
De que a vida está sempre começando.


Por: Felipe Cabral
Em: 16.08.2008

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A arte de descobrir

Descobrir é mágico, estranho
Divertido e amedrontador.
É mudança, transição
Sinal e revolta.

Mágico por ser novo
E exigir outra postura.
Estranho por ser diferente,
Textura nova de chão.

Divertido por ser surpresa
Brinquedo novo a fazer-se ocupar.
Amedrontador por não ser bom
Nas vezes que o mundo seguro deixa de sê-lo.

Mudança por ser novos hábitos
De comportamentos. Outro ser.
Transição por ser melhoria
De um lado e piora de outro.

Sinal por ser amostra de que dará certo
Ou de que está terrivelmente errado.
Revolta por ser desmotivante
Quando o certo e o errado se confundem.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Vazio Enfumaçado

É estranho viver assim
Sabendo em que ambiente está.
Começar a crer na falta de saídas
E ver o redor se deteriorar,
Tão brutal e tão natural.

A cada esquina uma alma perdida.
Pessoa que não existirá,
Nem nunca terá noção de si.
Do que poderia ter sido
Como gente e vida nascente.

Pedra desencaixada do arranjo.
Só se sente quando se tropeça,
Olha atrás e deixa lá largada
Que outro se incomode e a ajeite.
Armadilha nunca desfeita.

Nessa brincadeira dias passam
Corriqueiros, desinteressantes.
Sem chama nova
Só fumaça das que já foram.
Até cobrir todo o pouco brilho que nos resta.