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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Manhãs chuvosas

As manhãs chuvosas são as melhores. As pessoas se apressam mais, cobrem-se mais e deixam passar a beleza que há nesse tempo. A rua parece ser só sua e o carro, como uma pequena fortaleza, vai embaçando quase que exigindo que compartilhemos com ele toda água e ventos e magia. Foi assim, hoje, em um desses momentos, que larguei toda essa frescura e por instantes deixei-me contagiar, sozinho, com esse clima e corri sem guarda-chuva, preocupação ou razão, a não ser a de sentir de novo o gosto das gotas quando tocam os lábios, o poder da água em deixar inúteis os meus óculos e o vento ao jogar meu cabelo sobre o rosto. Nesse pequeno espaço em que o tempo parou como se não fosse voltar revivi a beleza de estar vivo, senti a liberdade, esquecida, novamente. Então, em meio a esse turbilhão de sentimentos que afogaram qualquer pensamento lógico que inconscientemente veio a nascer, meu próprio tempo parou e ainda sem pensar em nada o coração acelerou, a visão, já ruim, ficou mais turva e exatamente nessa hora senti como se estivesse com você, nesse pequeno esquecimento temporal foi como se nada mais importasse, como se nada pudesse nos atingir. Foi como ter certeza que a vida poderia ter sentido novamente, talvez até enquanto ela durasse.
Aí cheguei em casa e vi que estava atrasado para a aula de Cálculo Numérico.

Sim, está bobo, feio e mau. Mas quem se importa?

2 comentários:

  1. Ouso contrariá-lo: nada de bobo, feio ou mal! O texto arrebatou-me, li-o de um só folego como se na chuva estivesse também... Terminei-o lembrando das primeiras noites de janeiro em que era permitido tomar banho de chuva só porque se acreditava que ela traria boas sortes para o ano que iniciava... bons tempos aqueles, bom texto o seu!

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  2. Tbm não achei bobo, nem feio nem mal..
    Pode ter certeza q eu adorei ;)
    Vc escreve muito bemm..
    Beijosss May

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