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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Vida e morte sem sentido

É curiosamente desumano
Sentir-se tão mal, sem saída,
Quando caminhamos por um caminho
Que parece tão certo, tão natural.

Mas então chega uma parte desse caminho
Que está tudo igual, tudo na mesma.
E ao mesmo tempo nada é mais familiar,
Forçando a continuação num mergulho de uma loucura cega sem fim.

Desse mergulho vem a sensação de estar perdido.
Nada próximo, nenhum sentimento saciado.
Sem paredes ou chão
É como viver o mesmo sonho ruim diariamente.

Preso dentro da própria vivência mesquinha
Aos poucos perdendo a esperança de saber viver,
Ou apenas a de acordar.
Implodindo si mesmo na tentativa de não sentir mais nada, de não precisar mais respirar.

Ainda como se não bastasse
Todo e qualquer calor humano em volta
Esvai-se. O coração vai ficando frio, cada vez mais frio.
E treme sem abrigo, sem descanso.

Enfim tudo perde o porquê.
A ponto de mesmo sem explicação
Ser quase impossível continuar.
Para que daí venha a última e única sensação.

A sensação que traz a vontade em si
De querer não sentir
Aquela agonia interna insistente,
Aquele aperto no peito intermitente.

A vontade é de morrer, apenas.


Por: Felipe Cabral
Em: 04.11.2008