Páginas

domingo, 13 de dezembro de 2009

Hesitação

E quando a ignorância e o conhecimento são as pontas de uma espada de dois gumes, o que fazer para ficar entre eles, sem que, para isso, precise ser apunhalado?

sábado, 12 de dezembro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

Rio, 17.10.2009

Voltando pra casa, 12h24min, dirigindo, saída da linha amarela, sinal fechado:
Blazer branca pára atrás, buzinando enlouquecidamente e forçando passagem:
Natalia: "o que é isso?"
Eu, olhando no retrovisor, já no meio do caminho pra começar a xingar: "Sei lá, vou dar passagem, tá muito desesperado pra ser só alguém que eu tenha fechado sem ver."
A blazer emparelha, olhamos pro lado, homens fortemente armados dentro.
Natalia: "Ai meu Deus, vamos embora, mas não vai atrás dela não!"
Eu: "ela tá indo pra onde a gente mora, quer que eu vá por onde? No máximo vou dar tempo deles irem um pouco, mas terei que seguir o mesmo caminho"
Natalia: "Tem certeza?"
Eu: "Ué, vamos ver o que tá acontecendo primeiro, se tiver ruim mesmo tento um outro caminho, de qualquer forma vou por dentro do bairro."

Voltando pra casa, 12h32min, dirigindo, táxi emparelha em sentido oposto:
Taxista: "Que que tá havendo pra lá?"
Eu: "Nem sei, não to vindo de lá não, entrei pelo bairro quando vi a fumaça, mas parece que está tendo tiroteio e pela fumaça devem estar queimando um ônibus, se for por aquele lado, vai pelo Méier, na rua 24 de maio deve estar melhor"
Taxista: "Tudo bem, mas vou arriscar"
Eu: "ok, boa sorte!"
Taxista: "Pra você também"

Na entrada do meu prédio, 12h41min, eu entrando, vizinha saindo:
Eu: "Olha, cuidado quando a senhora sair, tenta evitar essas ruas principais que aparentemente estão queimando ônibus nelas, se puder fica mais tempo em casa."
Ela: "Sério?! Bom, eu tenho que sair, mas antes vou avisar meu marido e meu filho. Obrigada, tchau"
Eu: "Tchau"

Meu único medo é que esses tipos de diálogos se tornem frequentes. Porque, se se tornarem, realmente não sei o que esperar da cidade.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um quarto escuro,

Vazio.

Um ser agachado em um canto.

Mãos no rosto,

Lágrimas.

Choro de desabafo

Já sem nada estar abafado.

Calma interior,

Desespero exterior.

Braços cruzados,

Visão embaçada,

Inútil.

Nada a frente

Objeto nem luz.

O quarto aumenta.

Mais vazio, mais parede.

Sozinho, sem solidão.

O espaço aumenta mais.

De fora parece ser preocupante.

Esgota-se umas sensações.

Choro.

Retorno ao que é seguro.

Mãos no rosto,

Olhos fechados.


“O interessante da imaginação é poder usá-la quando se enjoa da vida real.”

domingo, 4 de outubro de 2009

Colcha de Retalhos

A dor é penetrante,

Como agulha a costurar retalhos

E como costura

A marcar fronteiras de cicatrizes.


Corpo, mente e alma retalhados

A sustentarem coração, desapegado,

Com finos fios de nós, laços

Mal dados.


Mil pontos fracos unidos

A formar um estranho ser

Disforme.

Ilusão nivelada por baixo.


Estranheza em afastar reconhecida,

Preferência em solidão, enfim.

Angústia moída e remoída

Torna a mais vil dor, frenesi.

sábado, 5 de setembro de 2009

People live

People talk

Day after Day

Never anything other

Than uselessness.


People walk

Day after day

Like they always have

Something really important to do.


People live

Day after day

Trying to find

Another reason to feel alive.


I don’t belong to this kind of people,

Day after day

I have you

To keep me dreaming.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Primeira sexta-feira – {08h00min}

R. – Bom dia.
C. – Bom dia. – [É, chegou o momento, o que será que vou dizer?]
R. – Tudo bem?
C. – Tudo e você? - [Claro que não está tudo bem. Afinal to aqui...] {08h03min}
R. – Não estamos aqui para falar de mim, estamos?
C. – [Tá, não. ¬¬] {08h05min}
(Silêncio...) {08h11min}
C. – [Eu sabia que não saberia o que falar. ¬¬]
(Silêncio...) {08h16min}
R. – É a sua primeira vez?
C. – [O que você acha?] – É sim...
R. – Bom, podemos começar então: o que te fez vir aqui?
C. – [Vontade de passear ¬¬] – Não sei bem explicar, talvez queira alguém para conversar só. {08h22min}
R. – Alguém para conversar? Não tem amigos?
(Silêncio pensativo...) {08h27min}
C. – [Nenhum que eu precise pagar pra isso!] – Ah, tenho, mas não é a mesma coisa.
R. – Ah não? Então você prefere falar com uma total estranha a um amigo?
(Silêncio...) {08h33min}
C. – [Na verdade eu prefiro conversar comigo mesmo, mas...]
(Som de grafite rabiscando papel)
C. – [o.O]
(Silêncio...) {08h37min}
C. – [Como você acha que as amizades começam? Com estranhos, eu hein...]
(Silêncio...) {08h40min}
C. – Tudo bem, não tenho muitos amigos e os que tenho não conversariam comigo sobre essas coisas.
R. Que coisas?
C. – [Droga, “que coisas?”, você trabalha com isso, como não sabe que coisas são?!] {08h44min}
R. – [Sim, sei, mas gostaria que você as contasse.]
C. – [O quê?! Como? Ah...] – Saco, agora perdeu a graça. {08h46min}
R. – É, eu sei. Nos vemos semana que vem então. {08h47min}
C. – Ok, tchau.
R. – Tchau. {8h49min}

sábado, 18 de julho de 2009

Axiomas [1]

Axioma JF (1)
Se f(x) x 2009 N
Podemos definir f(x) discreta da seguinte forma:
f(x) = e^x / f(x) representa a satisfação de J e F.
Axioma JF (2)
Sejam J U e F U.
Temos que ∃ J F n U e n Z / n N.
Onde Z = meses posteriores a Abril de 2009.

terça-feira, 14 de julho de 2009

As novas auroras são acompanhadas por pingos de esperança, mas logo nas primeiras horas do dia essas gotas evaporam e cheiram a enxofre. As próximas horas torturam, à medida que passam os minutos se arrastam mais e a noção de tempo se esvai. Os períodos (de tempo dos dias) são sádicos, com a noite tomando para si a responsabilidade do frio e da falta de espaço. O frio é penetrante, não sei como, mas ele chega faminto e toma conta de tudo com muita facilidade e como se ainda não bastasse o faz como que para lembrar que tanto fogo quanto calor serão raros nos próximos dias. Conforme os ossos vibram como último recurso, a pele já quase sem sensibilidade transmite medo. Medo de estar sozinha, medo do que seguirá, medo da falta de calor, medo da falta de aconchego.


Aaaah como o abraço dela é aconchegante!

sábado, 11 de julho de 2009

-Calma, também não é assim. Olha, você pode encarar a situação como se fosse um copo metade vazio, ou como se estivesse metade cheio. Você está encarando como se estivesse metade vazio...
-Uhn... E se eu já não estiver mais com sede?

domingo, 31 de maio de 2009

Noite escura sem esperanças

Então estava lá correndo, em passos largos, num frenesi incontrolável. Tinha apenas dois pensamentos dentro de si: continuar correndo e não olhar para trás. Era ainda uma noite fria, chuvosa, onde o tempo estava meio estacionado entre algumas horas da madrugada. Estava com medo, medo de que a aurora nunca chegaria, medo de perder o restante da força que ainda o impulsionava para longe de um destino que afugentava qualquer resquício de esperança que ainda pudesse restar e, sem esperança, sua existência já não mais teria sentido, transformar-se-ia em um boneco sem vida, sem utilidade.

     Já não sabia mais como seu corpo ainda o sustentava, de onde vinha tanta vontade, não sentia as pernas, ou os braços, ou sua estrutura, tinha noção de sua existência apenas pelo latejar intermitente em sua testa. Ao menos a chuva tinha parado, recebia agora algum conforto, o exercício finalmente trouxe algum calor para seus membros encharcados e um esboço de sorriso ameaçou saltar por entre seus lábios.

     Cometeu um erro: olhou para trás. O pavor que sua visão produziu aliado à falta de atenção no caminho o fez cair na lama com uma força sem igual. Não conseguiu se levantar, tão pouco teve a coragem de encarar seu medo como última opção. Deixou a cabeça mergulhada na lama, a mente distante de interpretar qualquer coisa, mesmo a simples necessidade de respirar foi ignorada. Tinha se dado por vencido, seu maior temor foi atendido e sua esperança se esvaía, como água por entre os dedos. Havia reconhecido: era seu fim.

     Sentiu seu destino virando-o para encará-lo, obrigando-o a abrir os olhos e quando o fez acordou. Sim, acordou de seu pesadelo estranho, de sua corrida pelas trevas. Já era dia e o sol queimara de leve suas pupilas desavisadas, aos poucos recuperou a calma até que suas mãos pararam de tremer. Estava exausto, ainda assim levantou e voltou para sua rotina diária. Quanto ao pesadelo? Está lá, um pouco escondido em seu inconsciente, aguardando o próximo momento de crise, de falta de esperança, para atormentá-lo novamente.



O texto é aleatório, não tem nada em comum com a minha realidade agora, foi feito para que eu pudesse testar uma narrativa apenas.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um mês

Pouco tempo medido,
Corrido naturalmente
Que a física já mostrou ser relativo.
Lateja síncrono, nunca dormente.

Realidade vivida
Como união de momentos
Que segue corrida,
Sem sequer cogitar tormentos.

Situações agradáveis
Ocorrendo sem cobranças,
Trazendo certezas amigáveis
E aconchegantes lembranças.

Contatos de expressões lindas
Com surpresa, recebidas.
Sendo de todas bem-vindas.
Para sempre em meu coração, mantidas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Caminhada

Acordei certa vez em um desses dias que vale a pena viver e caminhei, assim mesmo, sem rumo certo, só pela curiosidade do que viria. No início andei descompromissado, mas vacilante com as novidades, não se podia apressar o que estava por vir, transformando a atividade em uma experiência que transbordava ansiedade. Foi com tropeços que marquei esse início, meio desajeitado, eufórico até, em aprender mais, ver mais, sentir mais.

Então os passos se tornaram muito repetitivos, com aquela aparência de tempo estático, quase como uma calmaria sem novidades. Nessa parte cometi o erro de estabelecer uma base segura, um momento onde o chão era perfeitamente regular e nem brisa ou tempestade podia surpreender. Era como caminhar acompanhado de memórias tranquilas que eram sempre fiéis à realidade e à falta de horizonte desigual. Mas peço que não se engane, pois essa passagem, ainda que boa, serviu para me acostumar à falta de mudanças, para me acomodar com uma passada firme, um chão seguro, uma respiração estável, um ambiente controlável.

Uma falta de atenção e o piso se abriu em uma cratera, não, cratera é exagero, um buraco que foi suficiente apenas para um leve tropeço, um pequeno desequilíbrio facilmente contornável se não fosse o comodismo anterior. Um passo em falso que deu a impressão de uma queda sem volta em um precipício desesperador que assumiu uma proporção imensa. Fora um aviso antes de qualquer coisa, afinal mudanças são normais (ou deveriam ser) e assim passaram a ser, todas com saldo positivo que fora omitido pela simples insegurança da falta do previsível.

Desse momento em diante a caminhada tornou-se novamente interessante, com objetivo e novos desequilíbrios frequentes. Não tem sido aconchegante, é como andar em cascalho com os pés descalços: mesmo avançando a dor acompanha. E esse novo percurso tem a aparência mais justa. Sim, é um dos caminhos mais difíceis que já tracei, mas os momentos que passam por mim acenam com tom de conhecimento, e conhecimento em todas as formas, mais maduro, diferente daquele adquirido por experiência própria no início. Tem sido difícil, são caminhos tortuosos onde o desespero e a vontade de largar tudo e correr de volta para a segurança sempre marcam presença nos piores trechos. Mas ao mesmo tempo está com cara de que o que virá após esse longo horizonte sem fim será muito melhor do que qualquer outro momento.

Em meio a esse caminho atual repleto de dúvidas me apareceu uma surpresa, próxima a um riacho que servira de descanso a andarilhos. Nesse lugar bebi, descansei e recuperei o fôlego e pouco antes de seguir caminho ressurgiu uma companheira que tomava um caminho diferente, mas fez questão de coincidir seus passos com os meus. Desde então tudo tem se tornado mais alegre e a vontade de largar tudo tem dado espaço a de realizar. É como se a caminhada tivesse parado e começado novamente, pelo mesmo caminho, mas com um ponto de vista diferente.

Cada dia representa um novo passo.

sábado, 4 de abril de 2009

Pensamentos randômicos de uma mente sem esperanças (1)

É estranho como algumas lembranças podem mexer com os sentidos e rotina dos hábitos atuais, se comparados aos antigos, cúmplices de tais lembranças.
Bizarro ainda se pararmos para refletir sobre as lembranças anteriores às que nos perturbam, as que mostram como o tempo foi, de certo ponto, desperdiçado em brincadeiras e falta de motivo para respirar, visto o não entendimento de nada em volta. Então se percebe que a mudança de pensamento que fez com que boa parte das coisas ao redor passasse por algum julgamento crítico e o respirar fizesse algum sentido foi deturpada, talvez não a mudança, mas o pensamento.
Digo ainda isso, pois em geral, descobertas vêm acompanhadas de alegria, excitação, visto o sentimento de desmistificação do mundo, de confirmação de espécie afinal é tipicamente humano a curiosidade, a vontade de saber. Mas ainda nisso existe uma separação entre o conhecimento adquirido pela própria experiência ingênua no estudo do comportamento da natureza, sem métodos seguidos, e a experiência de vida, de observação e classificação própria comparando comportamentos e julgamentos alheios com o seu próprio. É essa última forma de produção de conhecimento a mais eficiente para com o próprio ser humano, ainda que extremamente traumática se feita abruptamente, sem que a capacidade de aceitação e assimilação esteja por completa pronta.
Acredito que o maior choque seja explicado pela falta de coragem, o medo de agir sem querer fazê-lo, mais ainda com o temor de fazê-lo, mas fazendo-o e assim deformando pensamentos a ponto de ficar irreconhecível em tempo pouco comum para tamanha mudança. Aliado a isso ainda temos, por conseqüência, uma falta de companhia, podendo ser explicada se observarmos a velocidade com que os paradigmas do indivíduo se transformaram ao ponto que este perdesse a habilidade de auto-conhecer e, naturalmente, aquele que não tem o mínimo de ciência sobre si perde a possibilidade de aproximação de outros que por igual não o conheceriam verdadeiramente. Esse é o ponto que se chega quando se é covarde o suficiente para negar suas opiniões em prol de um comodismo, uma barganha de sofrimentos em que se acredita sofrer menos ao deixar as situações esfolarem o juízo do que tentar mexer-se em querer combatê-las de alguma forma.
Mas então a mudança está feita, afinal é retratada como lembrança no atual período de tempo e, de fato, não poderia ser vista ou pensada de forma diferente, sem que deturpássemos sua interpretação ao tentar entendê-la ao tempo de sua ocorrência. Aconteceu e por si só causou ainda diversas conjeturas, das quais a maioria já não é mais considerada, visto que também estavam carregadas de um trauma irracional do tempo em que foram criadas. E por falar naquele tempo, era um tempo aparentemente mais fácil, que ainda não trazia consigo esse peso chato do que temos de decidir por nós mesmos, muito embora esteja classificado como a exata época de transição, ainda que não sentida naquele instante.
De volta às lembranças quase esquecidas, as que mais causam pontadas de nostalgia são as que trazem de volta o cotidiano sem falsidades, em que o sentimento de aceitação por qualquer grupo era compartilhado e boa parte daqueles que dividiam aquele espaço-tempo bem definido eram sem invenções, eram em essência e assim era permitido ser.
Ao menos por agora é o que mais provoca viagens ao longo dessas realidades inventadas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Alma

Espere!
Cuidado onde pisa, não faça barulho!
Você não vai querer despertar
Os que assombram por aqui.

Escute-me!
Não vá por ali!
É mais seguro aqui no canto.
Sair pode deixá-los nervosos.

Existe um lugar escuro,
Escondido, como um submundo,
Onde a liberdade não é conhecida
E talvez por isso não faça falta.

Não são necessárias grades ou barras
Para forçar tamanha inércia,
Apenas o ambiente de temor bem tratado.
Aquele sufocado estado estático.

Tempo

Então a tarde se findava, era passado mais um dia memorável, daqueles que não acabavam, mas se repassavam na mente ocupando o sono monótono. Era início de noite quando Eduardo deitava pesadamente sua cabeça no travesseiro. O corpo relaxando na tentativa de recuperar o vigor gasto no dia e a mente acesa, com a preguiça gostosa de dormir.
Era essa a visão mais clara de infância que tinha. Esse era o quadro que sua mente pintava sempre que se lembrava dos tempos de criança. Tempos distantes que o faziam vacilar e questionar se tais lembranças eram reais. A nostalgia presente estranhamente não era acompanhada de idade avançada: Eduardo, com 21 anos, estava no início da vida adulta e não conseguia parar de se perguntar onde tudo se estancou, em que momento a forma de pensamento estranho da qual baseava seus dias havia se formado.

Finalmente acordou sob efeito do som irritante do despertador. Na cabeça a lembrança do sonho infinitamente repetido e a tentativa de visualizar as atividades que levavam-no a sonhar, ao mesmo tempo em que se esforçava a manter o foco na rotina sem graça que garantia sua chegada a tempo na faculdade. Já no ônibus as constatações familiares que sempre fazia a respeito de quão vazios eram seus dias tomavam seu tempo, provocando até a sensação que o engarrafamento passava mais rápido.
A faculdade há muito deixara de ser interessante, assumindo o papel de um ensino médio mais difícil, preocupante e aparentemente sem fim, exaurindo quase completamente seu tempo deixando espaço apenas para suas próprias considerações, cuja única serventia era a de sempre baixar sua auto-estima.
Chegou enfim ao corredor de seu bloco, posteriormente à sala. Ao entrar percebeu a falta de rostos conhecidos. Aqueles poucos que já haviam chegado estavam com suas costumeiras expressões de poucos amigos, apenas contribuindo para a sensação desaconchegante do lugar. Aguardou ainda com uma inútil esperança a chegada de novas pessoas, mas nada. Com a aula seguiu aquele desespero costumeiro, o sentimento aparente de que nada que fizesse poderia contribuir para que tudo desse certo.

Caminho de volta, ônibus sem graça, com os problemas sem solução de sempre, os macetes de sempre. A caminhada servindo apenas para pensamentos solitários e, talvez, egoístas. Mas, olha! Uma conclusão nova, enfim. Triste, mas irremediável: conforme a contagem dos dias segue, o destino de todos toma o rumo inevitável da solidão. Em alguns casos demora, mas sempre se cumpre.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

É tudo muito simples para que qualquer um entenda.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nostalgia

E pensar que fomos felizes.
Que a inocência fazia parte
De você, de mim e
Da nossa vontade.

E pensar que toda aquela alegria
Nos invadia sem exigir nada.
Éramos porque éramos.
Quase como lei natural.

E pensar que aquelas vontades
Eram por si só satisfatórias.
Tão simples quanto a água,
Tão agradáveis quanto a brisa matinal.

E pensar que as escolhas
Eram bobas em suas opções
Com conseqüências quase sempre positivas.
Nem importava a alternativa.

E pensar que não precisa ser diferente,
Que o passado pode
Viver livre no presente
Sem macular ordem alguma vigente.

E pensar que estamos perdendo tempo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sobre insegurança, pedintes e conformismo

O que é segurança, educação, moradia, saúde, emprego e qualidade de vida senão apenas os tópicos principais de qualquer campanha política? “Putz, que porre, mais um texto criticando tudo ao redor dizendo que só melhora se cada um fizer sua parte...!”. Bem, sim e não.
‘Sim’ porque a crítica existe, afinal é só olhar para os lados e perceber que as coisas parecem mais fora do lugar do que deveriam (diria até que muito mais fora do lugar). Talvez esteja mais para incômodo pessoal, porque gosto varia de cada um e ultimamente noção de certo e errado também.
‘Não’ pela falta de esperança. Sinceramente o discurso do “se cada um fizer sua parte” além de batido ainda soa como utopia. Aparentemente o comportamento de hoje segue a filosofia do “Eu primeiro, o resto que se dane”. Isso ainda sem mencionar que boa parte dos títulos do pacote “Para melhorar a vida” são de responsabilidade do poder público e quando se diz isso, infelizmente, soa ainda mais como utopia.
É esperado que textos como esse apresentem em sua conclusão aquilo que deveria ser feito para que a situação se ajeite. Ao contrário disso (porque o objetivo aqui é o desabafo e não um pacote de idéias que não serão vistas, criticadas ou colocadas em prática) direi o motivo de sua criação: ontem ao sair de casa, ao sair do supermercado e ao chegar em casa fui abordado por pedintes. Ao sair de carro à tarde mais três vezes a mesma situação se repetiu nos sinais que parei. Pensando bem se começar a ajudar todos que pedem, além de dar continuidade ao problema, começará a faltar coisas para minha casa. Isso unido aos costumeiros problemas como não usar mais o antigo caminho habitual por insegurança, evitar chegar tarde em casa pelo mesmo motivo e tantas outras mudanças de comportamento que não necessariamente deveriam fazer parte do nosso cotidiano e muito menos serem aceitas com tanta naturalidade.
Para fechar deixo o sentimento muito bem ilustrado pela frase “Estou de saco cheio!” e o início do conformismo para com essas situações motivado pela perda de esperança em alguma mudança positiva.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sobre Orkut e animais de rua

Estava lendo tópicos de uma comunidade sobre a carrocinha no Orkut, da qual fazia parte, e o interessante neles era a defesa suprema do recolhimento e morte de cães e gatos de rua (motivo principal pelo qual não faço mais parte da comunidade) sob o pretexto desses animais atacarem e transmitirem doença. Claro, isso desconsiderando as postagens de perfis falsos e aqueles que dizem só querer que tudo se dane. Uns poucos ainda apareciam com protestos exigindo um controle de zoonoses decente e justo para com os animais.
A carrocinha, quando bem implementada, vem acompanhada de um trabalho sério com canis próprios e veterinários competentes para que ali os animais recolhidos sejam preparados para adoção (quando digo preparados é desde cuidados veterinários e de vacinação até acompanhamento psicológico).
Mesmo assim os tópicos me fizeram pensar nas políticas brasileiras que vemos pelas ruas. No que diz respeito a animais o máximo que temos são leis voltadas aos donos, em geral todas os responsabilizando pelo comportamento do animal quando em vias públicas e em instituições como a suipa. Esta última já não consegue lidar com a superlotação de animais em seus canis, deixando de possuir, assim, um acompanhamento completo e individualizado.
Além disso o que mais me fez pensar é com relação às políticas, ações e comportamento individual, não para com os animais, mas para com as pessoas. A grande reclamação é para com transmissão de doenças e ataques de cães e gatos de rua. Mas será que eles transmitem mais doenças do que a falta de saneamento básico? Será que eles atacam mais as pessoas do que elas fazem consigo mesmas? E se a resposta para essas perguntas for ‘não’, a solução seria uma grande chacina?
Este é apenas mais um problema “sem solução” em nossa sociedade e como todos (ou a grande maioria) os nossos problemas a solução tem que vir de cada um. Adotar animais abandonados é ótimo, mas além disso, melhor ainda é não os abandonar quando deixam de ser filhotes e passam a dar mais trabalho do que era imaginado quando foram adquiridos.
E, claro, mais do que respeitar os animais, devemos respeitar as pessoas ao redor. Talvez com menos indiferença da parte de todos alguma mudança pode começar a acontecer.