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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sobre Orkut e animais de rua

Estava lendo tópicos de uma comunidade sobre a carrocinha no Orkut, da qual fazia parte, e o interessante neles era a defesa suprema do recolhimento e morte de cães e gatos de rua (motivo principal pelo qual não faço mais parte da comunidade) sob o pretexto desses animais atacarem e transmitirem doença. Claro, isso desconsiderando as postagens de perfis falsos e aqueles que dizem só querer que tudo se dane. Uns poucos ainda apareciam com protestos exigindo um controle de zoonoses decente e justo para com os animais.
A carrocinha, quando bem implementada, vem acompanhada de um trabalho sério com canis próprios e veterinários competentes para que ali os animais recolhidos sejam preparados para adoção (quando digo preparados é desde cuidados veterinários e de vacinação até acompanhamento psicológico).
Mesmo assim os tópicos me fizeram pensar nas políticas brasileiras que vemos pelas ruas. No que diz respeito a animais o máximo que temos são leis voltadas aos donos, em geral todas os responsabilizando pelo comportamento do animal quando em vias públicas e em instituições como a suipa. Esta última já não consegue lidar com a superlotação de animais em seus canis, deixando de possuir, assim, um acompanhamento completo e individualizado.
Além disso o que mais me fez pensar é com relação às políticas, ações e comportamento individual, não para com os animais, mas para com as pessoas. A grande reclamação é para com transmissão de doenças e ataques de cães e gatos de rua. Mas será que eles transmitem mais doenças do que a falta de saneamento básico? Será que eles atacam mais as pessoas do que elas fazem consigo mesmas? E se a resposta para essas perguntas for ‘não’, a solução seria uma grande chacina?
Este é apenas mais um problema “sem solução” em nossa sociedade e como todos (ou a grande maioria) os nossos problemas a solução tem que vir de cada um. Adotar animais abandonados é ótimo, mas além disso, melhor ainda é não os abandonar quando deixam de ser filhotes e passam a dar mais trabalho do que era imaginado quando foram adquiridos.
E, claro, mais do que respeitar os animais, devemos respeitar as pessoas ao redor. Talvez com menos indiferença da parte de todos alguma mudança pode começar a acontecer.

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