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segunda-feira, 9 de março de 2009

Tempo

Então a tarde se findava, era passado mais um dia memorável, daqueles que não acabavam, mas se repassavam na mente ocupando o sono monótono. Era início de noite quando Eduardo deitava pesadamente sua cabeça no travesseiro. O corpo relaxando na tentativa de recuperar o vigor gasto no dia e a mente acesa, com a preguiça gostosa de dormir.
Era essa a visão mais clara de infância que tinha. Esse era o quadro que sua mente pintava sempre que se lembrava dos tempos de criança. Tempos distantes que o faziam vacilar e questionar se tais lembranças eram reais. A nostalgia presente estranhamente não era acompanhada de idade avançada: Eduardo, com 21 anos, estava no início da vida adulta e não conseguia parar de se perguntar onde tudo se estancou, em que momento a forma de pensamento estranho da qual baseava seus dias havia se formado.

Finalmente acordou sob efeito do som irritante do despertador. Na cabeça a lembrança do sonho infinitamente repetido e a tentativa de visualizar as atividades que levavam-no a sonhar, ao mesmo tempo em que se esforçava a manter o foco na rotina sem graça que garantia sua chegada a tempo na faculdade. Já no ônibus as constatações familiares que sempre fazia a respeito de quão vazios eram seus dias tomavam seu tempo, provocando até a sensação que o engarrafamento passava mais rápido.
A faculdade há muito deixara de ser interessante, assumindo o papel de um ensino médio mais difícil, preocupante e aparentemente sem fim, exaurindo quase completamente seu tempo deixando espaço apenas para suas próprias considerações, cuja única serventia era a de sempre baixar sua auto-estima.
Chegou enfim ao corredor de seu bloco, posteriormente à sala. Ao entrar percebeu a falta de rostos conhecidos. Aqueles poucos que já haviam chegado estavam com suas costumeiras expressões de poucos amigos, apenas contribuindo para a sensação desaconchegante do lugar. Aguardou ainda com uma inútil esperança a chegada de novas pessoas, mas nada. Com a aula seguiu aquele desespero costumeiro, o sentimento aparente de que nada que fizesse poderia contribuir para que tudo desse certo.

Caminho de volta, ônibus sem graça, com os problemas sem solução de sempre, os macetes de sempre. A caminhada servindo apenas para pensamentos solitários e, talvez, egoístas. Mas, olha! Uma conclusão nova, enfim. Triste, mas irremediável: conforme a contagem dos dias segue, o destino de todos toma o rumo inevitável da solidão. Em alguns casos demora, mas sempre se cumpre.

2 comentários:

  1. o texto ficou bom.

    " com a preguiça gostosa de dormir."

    pq tenho a impressão de que conheço Eduardo??
    XD

    =***

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  2. Pq será, hein?!
    aahuaahuahuahuahu

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