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sábado, 4 de abril de 2009

Pensamentos randômicos de uma mente sem esperanças (1)

É estranho como algumas lembranças podem mexer com os sentidos e rotina dos hábitos atuais, se comparados aos antigos, cúmplices de tais lembranças.
Bizarro ainda se pararmos para refletir sobre as lembranças anteriores às que nos perturbam, as que mostram como o tempo foi, de certo ponto, desperdiçado em brincadeiras e falta de motivo para respirar, visto o não entendimento de nada em volta. Então se percebe que a mudança de pensamento que fez com que boa parte das coisas ao redor passasse por algum julgamento crítico e o respirar fizesse algum sentido foi deturpada, talvez não a mudança, mas o pensamento.
Digo ainda isso, pois em geral, descobertas vêm acompanhadas de alegria, excitação, visto o sentimento de desmistificação do mundo, de confirmação de espécie afinal é tipicamente humano a curiosidade, a vontade de saber. Mas ainda nisso existe uma separação entre o conhecimento adquirido pela própria experiência ingênua no estudo do comportamento da natureza, sem métodos seguidos, e a experiência de vida, de observação e classificação própria comparando comportamentos e julgamentos alheios com o seu próprio. É essa última forma de produção de conhecimento a mais eficiente para com o próprio ser humano, ainda que extremamente traumática se feita abruptamente, sem que a capacidade de aceitação e assimilação esteja por completa pronta.
Acredito que o maior choque seja explicado pela falta de coragem, o medo de agir sem querer fazê-lo, mais ainda com o temor de fazê-lo, mas fazendo-o e assim deformando pensamentos a ponto de ficar irreconhecível em tempo pouco comum para tamanha mudança. Aliado a isso ainda temos, por conseqüência, uma falta de companhia, podendo ser explicada se observarmos a velocidade com que os paradigmas do indivíduo se transformaram ao ponto que este perdesse a habilidade de auto-conhecer e, naturalmente, aquele que não tem o mínimo de ciência sobre si perde a possibilidade de aproximação de outros que por igual não o conheceriam verdadeiramente. Esse é o ponto que se chega quando se é covarde o suficiente para negar suas opiniões em prol de um comodismo, uma barganha de sofrimentos em que se acredita sofrer menos ao deixar as situações esfolarem o juízo do que tentar mexer-se em querer combatê-las de alguma forma.
Mas então a mudança está feita, afinal é retratada como lembrança no atual período de tempo e, de fato, não poderia ser vista ou pensada de forma diferente, sem que deturpássemos sua interpretação ao tentar entendê-la ao tempo de sua ocorrência. Aconteceu e por si só causou ainda diversas conjeturas, das quais a maioria já não é mais considerada, visto que também estavam carregadas de um trauma irracional do tempo em que foram criadas. E por falar naquele tempo, era um tempo aparentemente mais fácil, que ainda não trazia consigo esse peso chato do que temos de decidir por nós mesmos, muito embora esteja classificado como a exata época de transição, ainda que não sentida naquele instante.
De volta às lembranças quase esquecidas, as que mais causam pontadas de nostalgia são as que trazem de volta o cotidiano sem falsidades, em que o sentimento de aceitação por qualquer grupo era compartilhado e boa parte daqueles que dividiam aquele espaço-tempo bem definido eram sem invenções, eram em essência e assim era permitido ser.
Ao menos por agora é o que mais provoca viagens ao longo dessas realidades inventadas.

Um comentário:

  1. Uhuuu!

    que bom ter voltado à pena! Digo, às teclas! Alvíssaras!

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