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sábado, 30 de janeiro de 2010

Recordação

Era uma quarta-feita, talvez quinta, com cara de sexta.

O céu? Estrelado como nunca antes se viu.

Estrelas se misturavam com gotículas de orvalho nos óculos e no ar a cada flash de câmera.

Constelações como que de joelhos convidavam qualquer um que desse conta de sua existência para um outro estado de espírito, inédito.

Diante da atemporalidade de tal cenário, em uma respiração longa de fechar e abrir os olhos eu te
encontrei.

Olhei profundamente em seus olhos, doces olhos. Você sorriu um sorriso suave como se dissesse "estou aqui".

Na calmaria incomum de gigantes, conversamos.

Nos abraçamos e notei novamente seus olhos cor-de-mel que diziam "volta logo".

Respondi: "eu volto, tenha certeza que volto".

Então, de volta à realidade paralela, senti o frio da noite pesar novamente e adormeci.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para não dizer que não lembrei das flores

Hoje as flores caíram e ficaram pelo chão
Desperdício de romantismo
Deixado para trás em uma etapa
De uma discreta saga.

Pétalas e corpo esmagados
Por todos os participantes desvairados
Desatentos ao marco datado
¾ de um dos vários ciclos esperados.

Mesmo esquecidas e deixadas
As flores ainda levantaram
Como que para ver se de todos
Ao menos um lembraria delas.

E esse um lembrou e recordou
Da sua flor a aguardar
Em casa há 10 dias
Por aquele que voltasse a colhê-la.