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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carro

Calor.
Porta aberta.
Espera do lado de fora.
Ar-condicionado que não faz efeito.
Trânsito.
Compressor desarma.
Desliga o ar.
Abre as janelas.
Motor rateia.
Morre.
Demora a ligar.
Religa.
Mais trânsito.
Agonia.
Mais calor.
Trânsito anda.
Religa o ar.
Ar faz pouco efeito.
Cor amarela.
Pessoas fazem sinal.
Confusão com táxi.
Trouxas.
Motor vacila, por causa do ar.
Motor vacila sozinho.
Troca as velas.
Continua no escuro.
Acelerador quebra.
Gatilho oportuno, mas porco.
Acelerador muito alto.
Dor no pé.
Morre de novo.
Religa no tranco.
Paciência se esvai.
O da frente com excesso de lerdeza.
Ultrapassagem perigosa.
Motor vacila no meio.
Excesso de velocidade.
Volante tremendo.
Pé no freio.
Seta armada.
Paralelepípedos.
Barulho de moeda no cinzeiro.
Fechada em alguém.
Estaciona.
Encostada no fox branco.
Carona.
Túnel meio livre.
Meio cheio.
Rádio bem alto.
Excesso de velocidade.
E de ultrapassagens.
Chegada.
Estaciona.
Porta de casa.
Dias seguintes.
Barulho agudo.
Borracha queimada.
Marcas no chão.
Quase atropela o gari.
Tem que dar um jeito no motor.
E no ar.
E em mim.

5 comentários:

  1. Adorei esse! Descrição completa das suas aventuras automobilísticas. Quero só ver como vai ser o texto de quando vc finalmente conseguir bater com o carro! hahaha

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  2. A ultima frase é a mais certa. rs
    adoreiii

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  3. muito foda o texto. isso me lembra um trecho de um texto do luís veríssimo:
    '...quando o caos da cidade parece querer te abduzir'

    bjo, mano.

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