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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Escrever sempre foi chato

Desde sempre, no aprender das letras,
No não entender dos textos.
De certa forma, na maioria das vezes,
Escrever é mais chato para aquele que lê.
Porque a escrita é a tentativa (conseguida)
Da perpetuação da mentira, da hipocrisia, da afirmação duvidosa (e estranha).
Escrever é como encabrestar a palavra dita,
Velha conhecida por não ter valor ao vento,
E dibicá-la à própria vontade, ainda que contra a brisa.
É tirar (sim, tirar) o sentimento do espontâneo
Deixando escoar pelas fibras da verdade.

E por isso ler me dilacera e escrever me fragiliza.
Dilacera pois ao passar os olhos setas me atravessam,
Elas poderiam escolher outros caminhos para apontar as coisas,
Mas escolhem aqueles que perfuram o peito.
Fragiliza porque é desabafo
As palavras vêm como vômito guardado
Queima o estômago, garganta e boca.

Mas, como humano que sou, estúpido.
Encontro na falsidade um buraco
(Agradeço por ainda ser pequeno)
Onde me agacho e me protejo
Como tantos outros, tantos "poetas"
A assinar a falta de coerência dos meus pensamentos.

2 comentários:

  1. Bacana, o texto... Bem espontâneo mesmo, do jeito que tem que ser

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  2. As coisas não precisam ter coerência todo o tempo, e nem todo o tempo fazerem sentido. Às vezes escrevo certas coisas que nem sei porque, e nenhum fio de racionalidade as ligam. Escrevo porque me distrai, porque me enche de uma coisa que não sei dizer, porque se eu não escrever não sei aonde vou me esconder ou criar meu mundo.


    Dizem que as palavras de um "poeta" revelam sua alma. Me parece um pouco da sua aí também.

    belo texto.

    bjo, bjo, bjo...

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