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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Esquina do medo

A esquina do medo é em todo lugar.
É na cidade corrompida.
É nas pessoas compradas.
É nas que se deixam comprar.
É nas que se enganam ao participar.
É nas atrocidades do cotidiano.

Em todos e por todo o dia.
É difícil.
Quais os motivos de tal insanidade?
Talvez por ser insanidade não existam motivos.
Ela existe por si só.
Mas só por isso já é confuso.

(E) enquanto gritamos que somos racionais.
Batemos no peito, exatamente como o gorila faz.
Sim, poeta, gorilas não escrevem poemas.
Nem compensam valores falsos em cima da razão.
O que deixa a pergunta: quem é mais animal, então?

E são nessas (pequenas) ações.
Ditas, por alguns, não serem passíveis de arrependimento.
Que tudo ao redor vai apodrecendo.
Unem-se a elas todo o tipo de corrupção.
Seja pensada, falada ou feita.

Em tudo que minha razão permitir.
Não me deixarei ser corrompido.
Não permitirei que meu facho de luz se apague.
Não deixarei a esquina do medo estar ao meu redor.
Não deixarei em minha casa.
Não deixarei em mim.

Não serei eu, tampouco, representante de tal escória.




Não se engane, poema baseado no que você pensou que ele foi baseado.
E, também, nessa reportagem.

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