Páginas

terça-feira, 30 de março de 2010

Conselho

Faça do estudo: trabalho!
Acordo contratual entre você e ti mesmo.
44 horas semanais.
Ao fim das 8 diárias,
trânsito, cansaço... conhecimento.

O que te resta agora
é banho, comida e sono.

Tem um novo dia pela frente.
Levanta e anda.
Ele espera por você e diz:
Decifra-me ou devoro-te.

Da lua 1

Ergue-se em meio aos carros
como um faról de motocicleta
a costurar o trânsito.

Crepita-se luz rosada
por entre ondas de calor
de capôs quentes.

Faz-se paisagem de quadro
emoldurado por vias expressas
amarelas e vermelhas.

Firma-se referencial,
qual lanterna distante,
não ilumina, posiciona-se.

domingo, 28 de março de 2010

Fragmentos de nós VI

Surpreende-me aconchegantemente ao lembrar dos 11 às 00:00, ao ligar em meio à tarde sem aviso prévio. Conforta-me ao fazer planos e querer que eu durma no avançar das horas. E você se solta e recosta em mim e dorme, então presencio sua respiração e coração se acalmarem e me sinto novamente o protetor frágil que não sabe muito bem o que fazer quando você abre os olhos no sol do fim da tarde. Mas como quem sabe da inquietação é redundante ao chamar a atenção para a cor com a qual me olha.
És tão linda.

Fragmentos de nós V

Falo-te sobre a minha vida e a compartilho com você, colocando-a como ouvinte, observadora,
participante.
O hoje é o passado do amanhã e nós somos o futuro do agora. Juntos ficamos como quem realiza o sonho da vida real.
Eu e você estamos aqui agora. E amanhã estaremos e estivemos e não mais existirá um passado que não pertença a um ou outro. Quando os dois forem chamados de um, serão um, e não pode existir o tempo vivido que não gere lembrança conjunta.

Indicação

Indicação de mais um estudo. Também muito bom.

Quebra-cabeças

Em uma peça a miopia, em uma outra os óculos.
Numa peça quatro rodas, numa outra o estepe.
Em uma: função de transferência. Noutra: equação diferencial.
3 peças: Gradiente, Divergente e Rotacional.

No centro um coração, no topo uma cabeça.
Mais peças a passar por eles.

Bombeia pelo limiar de encaixes
A alimentar um vício, uma preocupação, um ranger de dentes...
Um corpo.
Um amor.


Junta as peças e forma o todo:
Artifício de gente.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Que medo é este

que o acorda antes da alvorada?
Que suposições são essas que o fazem pesquisar até o inatingível?
O ponto negro de desconfiança que pairava tem crescido.
Tem-se feito mancha e a claridade encontra dificuldade para encontrar os olhos.

A busca em falso por alguma verdade não revelada tem me obcecado.
Às vezes a vontade é de morrer, às vezes de matar,
a que mais prevalece é a de me excluir, não mais ser nada.
Toda dor antiga faz sentido agora: base de suporte para a atual.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Das estrelas 1

Do firmamento me olhas.
Ó Sirius.
Tiras a coragem do cão a observar-me.
Cão maior, caçador, fiel.
Que encaras o que for por Orion,
Bellatrix a guiar seu próprio instinto.

"Eternamente" encara a contenda que não se resolve
Orion que persegue Escorpião que persegue Orion.
Mintaka, Alnilam e Alnitak a sustentar bainha
Frente a Shaula, bolsa de veneno.

Caçador e caça se confundem
vagarosamente.
Tempo suficiente para olhar as brigas terrenas.
Como quem precisa de inspiração
em sua própria limitação.

As estrelas nos copiam.
Afinal, qual das espécies é mais previsível?
Elas precisam de nós, afinal.
Imagine se de repente a noite toda muda.
Os espectadores se confundem nesse jogo.

Primeiro dia de aula

Já é dia 22. Primeiro dia de aula.
Marco a transição de períodos, agora oficial, arrancando calendários da parede e horários, substituindo-os pelos novos.
Novo período na faculdade.
Novo período na vida.

Que esse seja melhor que o último.

Em todos os sentidos.

domingo, 21 de março de 2010

Início e fim

Cantinho engraçado
Num lugar embasado
Escondido e escancarado
Na infinitude divina, perfeita.

Espaço de mistério
Com seus anos-luz de distância
Desafia a ciência
E a confunde.

Nesse esconderijo qualquer
Onde a razão domina (ou tenta)
Um mundo
Um ponto.

Ínfimos seres
Em meio ao universo lá fora
Que começa então a se mostrar
E apagar o que está cá dentro.

Um símbolo,
Uma cidade enfim.
Cotidianamente se repete
O que é visto diariamente.

Tradição que determina:
Com inimigos se faz um homem.
Mas, talvez ninguém tenha notado que
Com amigos se confirma um ser humano.

Em culturas objetivas
Não se perde tempo com o diferente
Ignora-se apenas
E deixa-se em paz.

Em culturas cíclicas
O diferente incomoda, assusta
Se forma uma organização de diferentes
Que só querem mostrar não serem iguais.

Em nossa cultura falta tempo
Tem-se medo a cada beco
O preconceito enraíza-se até as vísceras mais profundas da alma
E de graça permitimo-nos não ser-mos.

Mas somos em corpos,
Sendo luz em alma
Que nem a todos convém
Em alguns espíritos de porcos

De vida ramificam-se ambos
Corpo e alma
Ainda que presos, encarnados
Em si ainda falta algo.

Uma substância talvez
Ou então uma nova invenção
Ao certo um sentimento
Enobrecido em energia: amor.


Em: 20.08.2006

Indicação de estudo

Só porque esse estudo, em especial, mexeu bastante comigo...

Então divulgo o link.

sábado, 20 de março de 2010

Tens falado palavras tortas,
grito de um peito acorrentado,
arrastado por grilhões de noites claras.
Porque a boca fala do que está cheio o coração.

O que tens preparado?
Que seque a árvore sem frutos!
Afinal, o que esperas de ti mesmo?
Por que procuras mais no azul claro
do que no livro de capa preta?

Onde queres chegar?
Qual enredo escolherás para tua história?

Irei por aquele que é
o Caminho, a Verdade e a Vida.

sexta-feira, 19 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sara

Mas que belo nome!
E que sorriso tão belo quanto.
Por que escondes o sorrir?
Por que cobres essa beleza?

De certo tens que manter essa pose.
Uma pena acreditares nisto.
Ainda que a surpresa do riso engrandeça sua lindeza
Escondê-lo é como privar-nos-todos de tal maravilha.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Aniversário (2)

"21 = Blacjack: Um ano inteiro quebrando a banca"
- Blackjack não me é um nome estranho... Acho que é um ator, não?
- O ator é Jack Black...
- Ah é, isso!!!

Aniversário

Parabéns a ti, sobrevivente.
Mais um ano de sobrevida.
Mais um ano de inspirações indigestas.
O 22º ano já começa meio pesado.
No meio da chuva forte,
do engarrafamento interminável.
Em torno de uma briga movida de mágoas
que nunca termina.
No fim da pregação de Jó.
Começa em um sofá marrom.
Passa para um banco preto.
Onde a raiva é
confundida com sono.
Com a solidão de um carro,
com ou sem carona do lado
em seus 90 ou 2Km/h.

Ao menos a passagem
de 20 para 21
se fez em sono.
Como seria bom não ter acordado
mais uma vez.

terça-feira, 16 de março de 2010

Favela

A favela é aqui, o esgoto e a falta de saneamento, estão aqui também, nos meus pensamentos, na minha falta de atitude.
Já dizia Jucelino: "Bandido bom é bandido morto"
Jucelino é quase completo, só faltou a ele conseguir ver quem de fato são os bandidos, para que possam ser bons. E por ele eu sou bom, e melhoro a cada dia.

REnovação

Detran: 12:06

Terminais ocupados, números são gritados à medida que atendentes falsos terminam encaminhamentos de licença, encaminhando pedidos para fotos digitais, impressões digitais, tudo num sistema digital que quando chega a sua vez, cai.
E que pena que você é feia... Esperar, pagar taxas, fazer exames (também falsos), ficar nervosa frente ao volante... e tudo pra quê? Guardar uma foto ruim por quatro anos.
Espero que, dentro dos próximos quatro anos, você agregue um bocado de beleza, só no rosto já está bom, a fotografia não é de corpo inteiro mesmo.

sábado, 13 de março de 2010

Os dois do um mais um

Hoje não é um dia especial, não aconteceram eventos especiais hoje.
O especial de hoje é você e sou eu.
Hoje vi pessoas e elas me viram.
Falei com elas em línguas habituais.
O máximo de não usual no dia de hoje
Foram ecos de ordinárias linguagens estranhas.

Ah que tempo banal!
Tempo a ocupar-se de dar-me tempo
de recalcular leis batidas.
Até concluir, meio à correria e errar de marchas,
que somos os dois
do um mais um.


Inspirado nesse blog.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Marco

Início Oficial do Ministério de Teatro da Igreja Evangélica Congregacional de Higienópolis!
\o/

Vida privada (1)

Você preencheu as palavras cruzadas com letras aleatórias.
Dobrou a página do livro para fingir que está lendo.
Trouxe ambos para iniciar um falso diálogo.
Você não é uma delegada de polícia.
Tampouco gosta de quebra-cabeças.

Se fosse pra chutar,
Diria que só fala o que os outros querem ouvir.
Mentirosa manipuladora.
Quem você quer ser hoje?
Quem é você nessa noite?

Já acabaram os 5 minutos?


Inspirado em House, M.D., temporada 06, episódio 15: Private Lives

Agressivo furto da esperança

O roubo, astuto e minucioso
Não, entretanto, sem ser traumático,
Se faz hoje diariamente,
Com precisão, força e frieza mecânica.

Ao certo não intencional,
Mas completamente destrutivo
Separa corpo de alma
Com agressão aos dois aspectos.

E hoje já sofri essa degradação
Invisivelmente arrancou-me a íris.
Sonhos então escorreram como a lágrima de outrora.

Assim se corresponde ao exigido
O mundo se perde acompanhando os sonhos
E, sem mundo nem sonho, inicia-se uma nova vida.


Por: Felipe Cabral
Em: 31.10.2006


Poema desesperançoso, coloco-o apenas como marco próprio para comparar a evolução (ou involução) do meu eu escrito de hoje com o de quase três anos e meio atrás.

domingo, 7 de março de 2010

O melhor cão do mundo!

Buddy, Bode, Bud, Budzinho, Titico, Tiquico, Bebê, Neném, Dog, Doguinho, Cachorro, Gatinho. Irmão.

Buddy era o menor e mais bonitinho de sua ninhada. Mal sabíamos nós que seria o mais problemático também. Quase pegamos um pretinho, o maior da cria, mas digamos que esse carinha aí soube nos escolher (sim, hoje sabemos que ele nos escolheu, não o inverso). Dia 15.08.2001 foi quando ele foi agregado à família Cabral e já no primeiro dia marcou nossa família (digo, minha irmã, a quem ele mordeu). Lembro, como se fosse ontem, dele brincando com as chaves de casa do meu pai, ainda no primeiro dia. Tentamos educá-lo preso no terraço, mas não conseguimos. Além do típico choro que varava a noite, nos fazendo ter pena e deixando ele passar a noite junto conosco, o malandrinho ainda conseguia fugir lá de cima, após pular uma porta de 1,20 metros! Lembrando que ele não devia ter nem 30 centímetros de altura de pé.

Aos 3 meses de idade: o susto. Contraiu babésia e não tinha um veterinário que descobrisse o que estava fazendo ele vomitar até não ter mais nada no estômago, o que estava fazendo ele ficar todo mole sem vontade de fazer nada, até que finalmente defecava sangue e nem abria mais a boca. Então, naquela que parecia ser sua última noite encontramos a única profissional que pediu um exame de sangue (aí ele já estava com 4 meses de idade) com urgência, lembro das palavras dela: "Ele é muito forte, a maioria dos cachorros não duram mais que 2 semanas sem tratamento depois que começam os sintomas e ele já está nessa luta há 4. Mas mesmo ele sendo forte, preciso alertá-los que ele está muito fraco, quase sem sangue, não deve conseguir sobreviver mais essa noite. Pedi o exame de sangue mesmo assim, sai amanhã às 6 horas. Peguem o exame assim que sair no laboratório e me liguem de lá caso o resultado seja positivo para babésia que começo o tratamento. Estou torcendo por ele.". Claro que ele sobreviveu, não existiu, até hoje, um poodle que fosse tão forte quanto ele. O tratamento se baseava em 2 injeções por dia durante 15 dias. Nos 3 primeiros ele se limitava a nos olhar com aspecto de choro, sempre que era preciso dar a injeção, no restante dos dias já tínhamos que amarrar seu focinho e era preciso pelo menos duas pessoas para segurá-lo.

Durante essa doença, ele só bebia água se nós colocássemos pedacinhos de gelo em sua boca e deixasse eles derreterem pela sua garganta. Depois de bom ele ficou viciado em gelo! Era só alguém deixar cair algum que ele pegava, corria, escondia, brincava pela casa quando ninguém via e todo o chão ficava sujo e melado, combinando com suas patas da frente, desde a ponta delas até o focinho. Sinto pena de ter perdido alguns de  seus dentes de leite, de não ter tirado foto dele todo sujo de terra depois de destruir as plantas da minha mãe que ficavam no terraço ao tentar esconder um osso, de não ter filmado ele prendendo a respiração pra tentar pegar uma pedra de gelo de dentro da panelinha de água...
É com saudades que ainda lembro de suas malcriações: como fazer cocô nas camas quando saíamos, xixi quando tava menos inspirado, como quando ele destruiu a caneta que ficava ao lado do telefone ficando com a boca toda azul de tinta (ainda bem que a tinta não era tóxica), como se cortar no vidro da porta do terraço, como quando destruiu algumas sandálias da minha avó, como a vez que ele conseguiu entrar no banheiro quando saímos e puxou o papel higiênico inteiro pela casa, como roer a barra dos sofás...

Mas ele foi envelhecendo e seus problemas aparecendo. Teve catarata aos 3 anos de idade, só conseguimos operar uma das vistas, acabou perdendo a outra, o que causava alguns tropeços em objetos que ficavam apenas em seu lado esquerdo da visão. Deslocou a patela (e continuou deslocando) durante seus 4 e 5 anos, diminuindo assim sua capacidade de subir nos sofás, mas nada que nós não pudéssemos dar uma mãozinha quando ele calculava mal. Sempre teve problema de traquéia, quando de repente ela fechava e vazia com que ele ficasse sem ar. E agora sabemos que também tinha problemas de coração, já que foi assim que morreu.

Buddy (esse nome porque ele foi lá pra casa no dia que passava "Buddy, meu gorila favorito" na sessão da tarde) foi o melhor cão do mundo, o melhor amigo que já tive, a melhor companhia que minha avó poderia ter nos piores períodos de solidão em Maricá, o melhor cãozinho metido a besta que minha irmã poderia ter convivido, o melhor companheiro que meu pai poderia ter tido, a melhor preocupação que já ocupou o coração da minha mãe, e o melhor presente que meu avô poderia um dia pensar em dar aos seus netos. Ele foi fiel todos os dias da sua vida curta, até o último momento, ao perceber que estava passando mal ter entrado e deitado sobre as pernas da minha avó e morrido em seus braços. Logo a única pessoa que nunca o quis e que mais aprendeu a amá-lo e a quem ele mais retribuiu esse amor. Morreu em seu aniversário, em seus braços, como que para garantir que ela, e todos nós, lembrássemos dele.

Foi o melhor, tanto que, enquanto nos despedíamos dele, parecia que todo o Rio de Janeiro também o fazia. Ele se foi em uma tarde e noite de pranto, das nuvens e nosso.

Agradeço a ele por ele ter feito festa todos os dias que acordei, ter quase passado mal de tanta euforia todos os dias que nos encontramos com ele, ter aprendido a rosnar comigo, por ter sido o (melhor) cão que nunca vi ou verei em nenhum outro cachorro ou pessoa em minha vida. Agradeço a ele por ter sido o melhor cão do mundo!

Buddy:

* 15.06.2001 / + 06.03.2010

sábado, 6 de março de 2010

Meio-dia que não é dia

Agonia despertada,
Guardada no peito.

Meio-dia que não é dia,
Meia-noite que não é noite.

O que sobra é tempo?
A clock starts ticking down to zero, again.

Ecos da desconfiança,
De um período recente.

Espreita solidão!
Em volta de mim.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Te agradeço

"Por tudo o que tens feito
Por tudo que vais fazer
Por tuas promessas e tudo que és
Eu quero te agradecer
Com todo meu ser.


Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço por me libertar e salvar
Por ter morrido em meu lugar,
Te agradeço
JESUS te agradeço
Eu te agradeço
Te agradeço


Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço meu SENHOR

Te agradeço por me libertar e salvar
Por ter morrido em meu lugar,
Te agradeço
JESUS eu te agradeço
Eu te agradeço
Te agradeço senhor"


Pensando em fazer um texto parecido, só lembrava dessa música, então resolvi colocá-la.

Notas mentais

  • "Vigiai e orai."
  • "Entrar no descanso de Deus."

Lembrança

Nunca rir quando estiver comendo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma marca "nova"


Crava essa concha nesse peito de areia que esfarela, cava-o e marca-o com suas formas e contornos, sem deixar tocar no interior, sem deixar chegar onde queres. Desenha seu formato, e, para que protejas uma certa inocência meio mentirosa, cubra-a com pano enquanto o fazes a marca. Mas não deixes de marcar, para que o peito possa se desfigurar com a chuva, vento e mar, revelando sempre, ainda que disforme, cicatrizes de lembranças.

Memórias do mar

De alguma maneira, agradeço que o mar seja só meu, agradeço que eu não o tenha envolvido em algumas memórias, ainda que essas memórias tivessem ficado como vizinhas dele por algum tempo, tão perto.

Pegadas na areia


Às vezes o decorrer dos dias nos faz desejar que "soframos" de amnésia. Um sofrer que não é bem sofrer. Nos faz desejar ter o poder de apagar por completo certos momentos, como a água salgada o faz em nossas pegadas na areia. Descontinuidades temporais, por vezes até espaciais, são suplicadas. Acho que ainda que conseguisse cortar memórias assim não estaria em todo satisfeito, ou feliz, idealmente. Mas também acho que sentiria menos, mais mistério ou menos mistério não faria diferença. Pergunto-me (claro, não poderia deixar de perguntar-me), caso fosse capaz de tal proeza, se tomaria as mesmas atitudes em situações similares que o tempo poderia colocar, como que de pirraça, novamente em meu caminho.

Agradeço porque, no fim das contas, a vida é passageira mesmo.

terça-feira, 2 de março de 2010

Tudo o que eu quero,

agora, é uma resposta. Uma saída, luz que fosse. De todos os medos que afloram mais uma vez, um é novo. E tinha cerca de dez meses que não mais o sentia. Toda a falta de coragem, de seguir com meus próprios pés, vem de forma descomunal. São tantos os pensamentos vazios que me enchem! Mas nenhum que me traga paz, nenhum que mostre um caminho concreto, que mostre a felicidade, na forma mais sublime que um ser humano a possa perceber e sentir. É como se tudo estivesse girando em torno de uma questão de convencimento: não valho nada e nem tampouco nada me vale. Pergunto-me onde se encontra a pena, a satisfação do "vale à pena" continuar. Deus ainda me sustenta, mas não posso deixar de me perguntar "até quando?". É como se até com Ele batesse na mesma tecla da pessoa desamparada, que às vezes dá uma melhorada, mas retorna às mesmas questões de dez meses atrás, mas dessa vez dói mais do que naquele tempo. Aliada à primeira pergunta, segue "Cadê o tal plano?". Não estou aqui questionando, só não consigo vê-lo mesmo. Estou na segunda tentativa, que foi mais forte que a primeira, por isso a rasteira foi maior dessa vez? Continuando então, devo me preparar para anos de choro preso no pescoço onde quer que ande? Tinha a convicção que era santo (separado), nunca a de que era perfeito (muito pelo contrário, na verdade), mas ainda assim é difícil, ainda mais se pensar que não foi meu erro (pensando melhor talvez até tenha sido, pequenos hábitos ruins podem gerar grandes falhas), mesmo assim, são taaaantos imperfeitos no mundo! A questão é só por que não deu tempo de corrigir? O não saber o que fazer me destrói quase que na mesma medida do já conhecido medo do futuro e não posso deixar de me perguntar quem é a minha "loirinha", ou onde ela está. É a que sofre hoje junto comigo ou a que sofrerá um dia por qualquer outro motivo? O pior, pior mesmo, é essa voz maligna ao pé do meu ouvido tentando me convencer (e, tristemente, conseguindo às vezes) que não adianta. Que independente do que aconteça meu "fim" é a frustração, a falta de remédio para uma vida dura. De vez em quando uma vida extremamente triste, sem motivo aparente. Sem calor humano paciente. Porque até mesmo eu já cansei do meu sofrimento, não deve haver alguém que não se canse também.