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domingo, 7 de março de 2010

O melhor cão do mundo!

Buddy, Bode, Bud, Budzinho, Titico, Tiquico, Bebê, Neném, Dog, Doguinho, Cachorro, Gatinho. Irmão.

Buddy era o menor e mais bonitinho de sua ninhada. Mal sabíamos nós que seria o mais problemático também. Quase pegamos um pretinho, o maior da cria, mas digamos que esse carinha aí soube nos escolher (sim, hoje sabemos que ele nos escolheu, não o inverso). Dia 15.08.2001 foi quando ele foi agregado à família Cabral e já no primeiro dia marcou nossa família (digo, minha irmã, a quem ele mordeu). Lembro, como se fosse ontem, dele brincando com as chaves de casa do meu pai, ainda no primeiro dia. Tentamos educá-lo preso no terraço, mas não conseguimos. Além do típico choro que varava a noite, nos fazendo ter pena e deixando ele passar a noite junto conosco, o malandrinho ainda conseguia fugir lá de cima, após pular uma porta de 1,20 metros! Lembrando que ele não devia ter nem 30 centímetros de altura de pé.

Aos 3 meses de idade: o susto. Contraiu babésia e não tinha um veterinário que descobrisse o que estava fazendo ele vomitar até não ter mais nada no estômago, o que estava fazendo ele ficar todo mole sem vontade de fazer nada, até que finalmente defecava sangue e nem abria mais a boca. Então, naquela que parecia ser sua última noite encontramos a única profissional que pediu um exame de sangue (aí ele já estava com 4 meses de idade) com urgência, lembro das palavras dela: "Ele é muito forte, a maioria dos cachorros não duram mais que 2 semanas sem tratamento depois que começam os sintomas e ele já está nessa luta há 4. Mas mesmo ele sendo forte, preciso alertá-los que ele está muito fraco, quase sem sangue, não deve conseguir sobreviver mais essa noite. Pedi o exame de sangue mesmo assim, sai amanhã às 6 horas. Peguem o exame assim que sair no laboratório e me liguem de lá caso o resultado seja positivo para babésia que começo o tratamento. Estou torcendo por ele.". Claro que ele sobreviveu, não existiu, até hoje, um poodle que fosse tão forte quanto ele. O tratamento se baseava em 2 injeções por dia durante 15 dias. Nos 3 primeiros ele se limitava a nos olhar com aspecto de choro, sempre que era preciso dar a injeção, no restante dos dias já tínhamos que amarrar seu focinho e era preciso pelo menos duas pessoas para segurá-lo.

Durante essa doença, ele só bebia água se nós colocássemos pedacinhos de gelo em sua boca e deixasse eles derreterem pela sua garganta. Depois de bom ele ficou viciado em gelo! Era só alguém deixar cair algum que ele pegava, corria, escondia, brincava pela casa quando ninguém via e todo o chão ficava sujo e melado, combinando com suas patas da frente, desde a ponta delas até o focinho. Sinto pena de ter perdido alguns de  seus dentes de leite, de não ter tirado foto dele todo sujo de terra depois de destruir as plantas da minha mãe que ficavam no terraço ao tentar esconder um osso, de não ter filmado ele prendendo a respiração pra tentar pegar uma pedra de gelo de dentro da panelinha de água...
É com saudades que ainda lembro de suas malcriações: como fazer cocô nas camas quando saíamos, xixi quando tava menos inspirado, como quando ele destruiu a caneta que ficava ao lado do telefone ficando com a boca toda azul de tinta (ainda bem que a tinta não era tóxica), como se cortar no vidro da porta do terraço, como quando destruiu algumas sandálias da minha avó, como a vez que ele conseguiu entrar no banheiro quando saímos e puxou o papel higiênico inteiro pela casa, como roer a barra dos sofás...

Mas ele foi envelhecendo e seus problemas aparecendo. Teve catarata aos 3 anos de idade, só conseguimos operar uma das vistas, acabou perdendo a outra, o que causava alguns tropeços em objetos que ficavam apenas em seu lado esquerdo da visão. Deslocou a patela (e continuou deslocando) durante seus 4 e 5 anos, diminuindo assim sua capacidade de subir nos sofás, mas nada que nós não pudéssemos dar uma mãozinha quando ele calculava mal. Sempre teve problema de traquéia, quando de repente ela fechava e vazia com que ele ficasse sem ar. E agora sabemos que também tinha problemas de coração, já que foi assim que morreu.

Buddy (esse nome porque ele foi lá pra casa no dia que passava "Buddy, meu gorila favorito" na sessão da tarde) foi o melhor cão do mundo, o melhor amigo que já tive, a melhor companhia que minha avó poderia ter nos piores períodos de solidão em Maricá, o melhor cãozinho metido a besta que minha irmã poderia ter convivido, o melhor companheiro que meu pai poderia ter tido, a melhor preocupação que já ocupou o coração da minha mãe, e o melhor presente que meu avô poderia um dia pensar em dar aos seus netos. Ele foi fiel todos os dias da sua vida curta, até o último momento, ao perceber que estava passando mal ter entrado e deitado sobre as pernas da minha avó e morrido em seus braços. Logo a única pessoa que nunca o quis e que mais aprendeu a amá-lo e a quem ele mais retribuiu esse amor. Morreu em seu aniversário, em seus braços, como que para garantir que ela, e todos nós, lembrássemos dele.

Foi o melhor, tanto que, enquanto nos despedíamos dele, parecia que todo o Rio de Janeiro também o fazia. Ele se foi em uma tarde e noite de pranto, das nuvens e nosso.

Agradeço a ele por ele ter feito festa todos os dias que acordei, ter quase passado mal de tanta euforia todos os dias que nos encontramos com ele, ter aprendido a rosnar comigo, por ter sido o (melhor) cão que nunca vi ou verei em nenhum outro cachorro ou pessoa em minha vida. Agradeço a ele por ter sido o melhor cão do mundo!

Buddy:

* 15.06.2001 / + 06.03.2010

4 comentários:

  1. As pessoas que amamos são tão especiais que quando se vão, um pedacinho de nós vai com elas também.

    ...

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  2. oh ele era um amor.. e bem problematico ahushausas =)

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  3. Puts, cara, muito muito triste! E achei linda (de forma bem trágica) a forma como ele morreu. Nos braços de alguém que amava em uma data significativa.

    Vá com Deus, Buddy. Porque eu tenho certeza que ele teve uma excelente vida com a família que escolheu :)

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  4. Um cão maravilhoso que com certeza foi feliz com a família que teve.

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