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terça-feira, 20 de abril de 2010

Sono

O sono anseia por ti
envolvendo-te com braços abertos
em uma manta
de pálpebras pesadas.

E mais se engrossa a manta
conforme ele não o abraça
fazendo leve a concentração,
forte a falta de atenção.

Carregado ao vento pelas palavras ditas
perpassa circuitos trifásicos
a alimentar cargas de preguiça.

Paira, como névoa,
sobre as cabeças cansadas
a tirá-las da aula.

domingo, 18 de abril de 2010

Meio-fio

Esparramar-me no meio-fio
não com o carro, 
não com a moto,
nem com a bicicleta.


Mas com o descanso depois do futebol
na ladeira de paralelepípedo descalço,
fitar o sangue no dedão
com olhos desesperados de criança
enquanto finge não ser nada
para manter a pose frente ao time.


Com a vontade de contar vantagem
baseada nas aventuras encarnadas
nas meninas das saídas.
Nas meninas cujos gols eram dedicados.
Falar das experiências não vividas
por ninguém, tão pouco bem imaginadas
por qualquer um.


Com a apreciação da fogueira
que antes fora as plantas da Geni.
Vizinha Geni, tão contrária à bola,
tão defensora da sua porta.
Suas plantas, coitadas, não tinham comprado
essa briga com ela e queimaram
aquecendo a pirraça infantil.


Com a pichação da parede da Dorvalina,
doce vingança de queixa mal feita.
Maldita idade a confundir isopor com giz,
agora aprecia o trabalho da tinta.


Com os tropeços da corrida
atrás da pipa voada, da bola quase perdida,
mas quem sabe, talvez dê.
Do peão, da bolinha de gude fugida,
da moeda de R$0,10 no golaço do jogo de prego,
da tábua ensaboada descendo desenfreada,
do carrinho de rolimã capotando no barranco.


Ah mangueira! Permanece ainda viva
na memória, no coração
e na nostalgia da infância.

Da renovação

A dissimulação dos fatos pede por um espaço próprio. Temática antiga deixada de lado clama por atenção.

Vontade atendida.

sábado, 17 de abril de 2010

Vida

Situações frias,
solitárias.

Prisão encolhedora.

Enterro

Sob terra,
sob pedras,
sob neve,
sob gelo,
sob água

tudo apodrece

ainda que sob ar.

Do não caber

     A noite fora desastrosa, marcas de pés na parede denunciam a semi-realidade do pesadelo vivido, afinal ele fora embora e agora ela fita as marcas deixadas por ele: algumas camisas esquecidas no armário ainda com seu cheiro impregnado nas fibras, o copo sujo de café da última briga deixado na pia, o fio de cabelo desleixado no canto da cama. Em todo lugar existe algo marcado, como riscos em sua memória sensíveis aos tatos, físicos e imaginários.
     Enquanto a madrugada avança vagarosa ela observa os contornos que seus pés agitados deixaram. Pegadas de um caminho impossível de se tomar. Tentativa desesperada de fuga parede, teto a dentro. O carinho de outrora traz uma certa ânsia cadenciada com o ponteiro dos segundos. O tempo não passa e a ausência sufoca. Em meio à prisão encolhedora ela se pergunta se afinal sentiu algum calor acolhedor alguma vez.
     Ela se levanta ainda sem o apoio da aurora e caminha se escondendo pela penumbra, como o fantasma que a assombra em sonho. Suas pernas tremem e então se senta à mesa. Finalmente desaba chorando sua dor ao visualizar entre lágrimas e soluços a bituca do cigarro tragado após o último sexo. Em completo desespero ela se agarra àquele resquício de tabaco, afinal ainda resta a saliva dele no filtro. Ela quer respirá-lo, mais que fumaça quer tê-lo dentro de si a contaminar seus pulmões. Mas é só fumaça, só o gosto amargo. Sua saliva, boca ou ele não está ali.
     Finalmente ela se convence: está só. A assombrar seus passos e rotina. "Serão todas as madrugadas dessa forma?" ela se pergunta, mesmo sabendo a resposta.
     O despertador toca, está na hora. Hora de ser a assombração de outros.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dos dias acadêmicos

O sol eleva-se.
Luz em raios no horizonte
como dedos do curioso sobre um muro
a denunciar seu iminente surgimento.

Mas, diferente do curioso,
se mostra sem vergonha alguma.
Guardião luminar do tempo físico
vem regular: adormecer e despertar.

E durante a regulagem
passam AREIAS de tempo
no arrastar da falta de aulas:
DEGMARes de paciência.

Alternativa às fontes de energia
seu laboratório preenche
manhãs inteiras com risos
e páginas claro-azuladas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Clap clap

1° relatório produzido terminado às 3:42 da manhã "muito bem escrito".
Avaliação do aluno: "muito bom".

Palmas!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O amadurecer do descanso

O sono da falta de responsabilidade
é bem dormido, mais gostoso.
É, por essência, não ansioso.

O sono adulto avança na contra-mão,
é raso em horas e qualidade.
É fundo em descontinuidade.

Ingenuidade

As construções
tanto em rocha quanto em areia
são escombros frente à vida
que respira, oxigena-se, envelhece,

morre.

Tentação

Mudança de endereço
e de telefone
e de celular
e de compromissos
e de cotidiano
e de passado
e presente
e futuro.

Já disse Savage: "Eu rejeito sua realidade e substituo pela minha."

Falta-me uma alegria no peito.

Antes vem dor, peso, inspiração forçada,
então expiração apressada.
Falta-me a capacidade de fugir de mim.

Tempestade

Não há, nesta Terra
ambiente que escape
de sua tempestade.

Seja de areia
no deserto.

Seja de neve
nos pólos.

Seja de água
nos trópicos.

Seja de raios
na atmosfera.

Seja de deficiências
no físico.

Seja de loucuras
no intelectual.

Seja de mágoas
no emocional.

Seja de pesadelos
na imaginação.

Não ignore o tremer

nem, tampouco, a ventania fria
ambos correm a mostrar apenas
que estás vivo.

Apólice

Feito o contrato,
resguardados os rabiscos,
antigas marcas,
também invisíveis,
agora vistas, desgrafitadas.

Da tranquilidade do seguro,
apólice assinada,
retorno. Nostalgia quebrada,
eis que tudo se fez novo.

Novamente.

sábado, 10 de abril de 2010

O tempo

No meu tempo havia mais vergonha.
No meu tempo havia mais respeito.
O meu tempo passou,
E perdeu seu valor.
O que antes lutara para abolir,
Hoje desejo que volte a existir.

Porque vi. Vi minha base ruir
Vi o pensamento tornar-se senso.
Vi a luta se destruir e se auto-consumir.

Para tudo eu vivi e senti.
Presenciei o ódio nos olhos dos oprimidos
E o medo, nos iludidos.
E então tudo mudou
E os inversos se inverteram.

Hoje receio nada ver.
Receio uma ação que não tenha reação
Receio uma partida sem despedida.

Mas um pensamento me acalma.
Pode ser só mais uma etapa
Da mudança silenciosa e rápida
Que o tempo insiste em apresar
E não me deixa acalmar.


Em 2005.

O que é existir?

É sempre lutar por descobrir.
É manter a respiração mesmo sem nada saber dela.
Quem existe nada sabe nem mesmo saberá,
Somente tem a chance de ao menos tentar,
Embora nunca conseguirá.

Essa é a unidade organizadora
Que se mantém (e nos mantém) em equilíbrio,
Mas pelo gosto do saber tem sido destruída.
Porque da mesma forma que se descobre um jeito de se salvar
Também se descobre um jeito de destruir.
E é assim que se deixa de existir.

Mas como podemos destruir a unidade se existimos?
Logo se existimos nada sabemos,
Mas a comunicação se mostra falha
A ponto de perpetuarmos as descobertas
E assim se fabrica uma fonte de saber.


Em 2005.

Procuro e só encontro em você

Procuro uma vida perfeita
E se não encontro chego o mais próximo possível.

Procuro uma janela aberta,
Porque se encontrar a porta fechada posso entrar por ela.

Procuro uma chance de vida
Porque só encontro formas de fantasia

Procuro uma ilha só minha,
Mas só encontro multidões de vigia.

Procuro uma experiência que me revele respostas certas
Para que eu possa caminhar sem medo de tropeçar

Tudo isso eu só encontro em você
Minha fortaleza, meu abrigo.

Só o pensar em você é o que me faz esquecer.
Esqueço a complexidade do mundo e a forma simples com que é decifrado.

Lembro-me apenas de seu rosto de seu sorriso,
E de como estamos próximos e não estamos juntos.

Até que a crueldade da vida me desperte
Para novamente continuar minha forma de existência medíocre sem você.


Em 2005.

Sinto falta sim

Sinto fata sim,
Do meu colo materno,
Do meu diálogo sincero,
Do meu jeito invisível,
Do meu ser discreto

É assim que vou
Vivendo, colecionando
Rancores, vivenciando
Mágoas; tranqüilizando
Meu coração. Para só
Depois morrer em paz.


Em 2005.

Pessoas ao meu redor

Pessoas ao meu redor
Comentam meus passos
Sabem mais de mim
Do que eu.

Mesmo assim não falam sobre mim.
Não falam para mim sobre mim
Não me avisam o quão errado estou
O quão incerto sou

É daqui que vou partir
Para o improvável destino ouvir
No infinito chegar enfim
E no real voltar para o fim.


Em 2005.

Estou perdido

Estou perdido,
Não sei o que
Fazer daqui!

Para onde irei?
De onde partir?

Como farei para alcançar
No meu primeiro vôo,
A mais alta das nuvens
E sair da tempestade?

Quem ou o quê irá me
Acolher como a brisa fina
Que me dá apoio e me
Eleva por sobre a terra?


Em 2005.

Imaginação

Imagine se pensássemos a cada passo,
a cada ação,
em cada piscar de olhos,
a cada caminhar,
em cada aurora.

Imagine se levássemos em consideração
Cada pessoa que atravessasse a visão,
cada inseto que esmagamos sem ver,
cada som que nos perturba os ouvidos.

Agora imagine inércia,
imagine que nada o atinge,
imagine acordar e dormir
e não ter vivido o dia.

Imagine o comportamento
de um relógio de ponteiro,
que não se atém se
é meio-dia ou meia-noite.

Nesse momento imagine.
Imagine sua realidade,
as suas verdades
e o seu dia-a-dia.

Detenha-se a ambos os extremos,
Misturemos um pouco.
Sem desproporções
e veja:

Nesse ponto deixe de imaginar.
Nesse momento passe a sentir,
sentir dentro de si
a sua nova vida, acabado o esboço!


Em 2005.

Seguro

Um achado:
amarelado velho
impregna em folhas,
já manchadas, grafitadas.

Permissão negada
que tal amarelo represente
um jazigo perpétuo
a esfarelar com os anos.

Por respeito
assegurados estarão,
digitados ficarão,
publicados serão.

A partir deste,
neste blog,
aqueles, oportunamente,
não datados.

Álvares de Azevedo

"É frio o coração como um sorvete!"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lixo

Gente.

Sem sentido quando só.

Do sol

Vem intrometido,
olhar o que sua ausência causou.

Esgueira-se por entre as nuvens,
a conferir seu reflexo em poças remanescentes.

Vem dar um mínimo de ordem ao caos,
um mínimo de orientação.

Sorte sua ser símbolo de esperança
para o estado alagado.

Tome para si o papel de salva-vidas
das cidades que se afogam.

Prazo

Calmaria
e então
desespero.

Euforia
de sentimentos
e vontades.

Fazer do trabalho:
terminado.

Do sono:
dormido.

Da preocupação:
cumprida.

Da dor:
contida.

Da força:
desfalecida.

Pronto:
Tornar-se inabalável apenas para o fim
do próximo prazo.

Desmoronamento

O barro, que outrora deu forma, desliza em meio ao cochichar das gotas.
Parece tudo um plano maléfico, arquitetado em alto e bom som, como que para mostrar: avisamos.
Água e terra unem-se a discutir maneiras de encobrir.
É um falatório agitado, com estalidos de rachaduras em momentos mais enérgicos.
Feita a decisão: um último estrondo a selar o silêncio dos que foram.

E dentro de um tempo tudo será paz mais uma vez, elementos em comunhão novamente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da chuva

Água a cair em gordas gotas
deixadas a serem levadas ao vento,
para se unirem a formar enxurradas,
a entupir bueiros, a ilhar almas,
a embelezar uma cidade
de cores não usuais.

Corpos líquidos lançando-se
sem paraquedas num suicídio
coletivo e
dissociado de esperança
em sua força bruta.

Choro e luto num mesmo instante,
no desintegrar do atravessar um fluido
brutalmente por outro:
Para! Asfalto, parede, lataria,
parabrisa.

A maravilha está no se jogar
e se esparramar frente a vidro.
Sensacionar-se em envoltória.

domingo, 4 de abril de 2010

Sobre o tal BBB

Podemos comparar aqueles que acompanharam o BBB, principalmente durante as últimas semanas do programa, a cães babando pelas carnes numa vitrine de açougue ou gatos hipnotizados com os movimentos de peixes num aquário.
Tanto humanos quanto animais apresentam o mesmo comportamento, com a diferença que se os animais conseguissem entrar em suas "televisões" ao menos eles comeriam o que estavam vendo...


O post é meio atrasado, uma vez que a 10ª edição do BBB já terminou, mas ainda assim, é válido fazê-lo.
E só para constar: não, eu não acompanhei o BBB, visto que tenho vergonha na cara, seria no mínimo hipocrisia ter essa atitude.

Páscoa

Lucas. 24: 46~47:
46. e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo haveria de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia
47. e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.

Celebremos, Ele ressuscitou!

sábado, 3 de abril de 2010

Algema

Exterior.
Noite.
Um policial encara a lua.
Solitário.

Poderia prendê-la,
mas com qual alegação?
Em seu íntimo ele sabe:
ela é culpada.

Ou cúmplice.

Não seja um idiota

Seja um engenheiro!
Ser idiota é coisa para administrador de empresas.
Shhiiii.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Desejo

Uma vida
pra chamar
de minha.

O propósito

não é de machucar.
Não vem prazer da dor,
só escuridão.
E, claro, confusão.

Nesse dia, um desejo:
que os últimos meses
fossem de mentira.

Dor

Ela cresce.
Por dia.
Em taxas variáveis,
por agora: exponencialmente.

Toma conta em comentários soltos, não ditos,
no não querer conversar,
na grossura do e-mail, da despedida,
da falta de procura.

Arranha o coração
na falta de jeito, no falar seco e sucinto.
Na "malcriação", no orgulho aparente,
no não agitar as pazes.

Vem junto com as vontades,
com o não atender,
com o não marcar e não se envolver,
com a tristeza,

Com a solidão.

Hoje quero...

...acordar meio-dia.
...brincar com o celular novo.
...correr na chuva inexistente.
...transferir lista de contatos.
...arranjar algo (ou alguém) que preste na internet pra passar a manhã.
...sentir um pingo de prazer.
...saber alguma coisa antes da aula.
...acertar as resoluções da Equação de Laplace.
...beijo de namorada.
...fazer um motor de corrente contínua.
...estourar um capacitor.
...dirigir com uma mão só.
...passar dos 140km/h na linha amarela.
...ouvir beach boys curtindo a letra novamente.
...ficar rouco cantando wouldn't it be nice.
...ajeitar tudo em uma hora.
...uma boa surpresa.
...uma casa minha.
...um silêncio meu.
...uma estancada no tempo.

...que tudo se dane.

Hoje não quero...

...acordar cedo.
...ajeitar o carro na vaga.
...atravessar a rua pra chegar no prédio.
...me preocupar com Teoria Eletromagnética 2.
...estudar TE2, ou Controladores Híbridos.
...deixar de almoçar pra não gastar dinheiro.
...ficar para a aula de Conversão Eletromecânica de Energia.
...sentir frio na sala de aula.
...sair às 17 horas do fundão.
...pegar engarrafamento.
...brigar com a namorada.
...ensinar meu pai a mexer no celular novo.
...fazer nada.

1° de Abril

Boas mentiras!
que a vida seja repleta delas.

São meus votos
(nem tão sinceros)
a todos.

Feliz dia da mentira!