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domingo, 18 de abril de 2010

Meio-fio

Esparramar-me no meio-fio
não com o carro, 
não com a moto,
nem com a bicicleta.


Mas com o descanso depois do futebol
na ladeira de paralelepípedo descalço,
fitar o sangue no dedão
com olhos desesperados de criança
enquanto finge não ser nada
para manter a pose frente ao time.


Com a vontade de contar vantagem
baseada nas aventuras encarnadas
nas meninas das saídas.
Nas meninas cujos gols eram dedicados.
Falar das experiências não vividas
por ninguém, tão pouco bem imaginadas
por qualquer um.


Com a apreciação da fogueira
que antes fora as plantas da Geni.
Vizinha Geni, tão contrária à bola,
tão defensora da sua porta.
Suas plantas, coitadas, não tinham comprado
essa briga com ela e queimaram
aquecendo a pirraça infantil.


Com a pichação da parede da Dorvalina,
doce vingança de queixa mal feita.
Maldita idade a confundir isopor com giz,
agora aprecia o trabalho da tinta.


Com os tropeços da corrida
atrás da pipa voada, da bola quase perdida,
mas quem sabe, talvez dê.
Do peão, da bolinha de gude fugida,
da moeda de R$0,10 no golaço do jogo de prego,
da tábua ensaboada descendo desenfreada,
do carrinho de rolimã capotando no barranco.


Ah mangueira! Permanece ainda viva
na memória, no coração
e na nostalgia da infância.

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