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sábado, 10 de abril de 2010

O tempo

No meu tempo havia mais vergonha.
No meu tempo havia mais respeito.
O meu tempo passou,
E perdeu seu valor.
O que antes lutara para abolir,
Hoje desejo que volte a existir.

Porque vi. Vi minha base ruir
Vi o pensamento tornar-se senso.
Vi a luta se destruir e se auto-consumir.

Para tudo eu vivi e senti.
Presenciei o ódio nos olhos dos oprimidos
E o medo, nos iludidos.
E então tudo mudou
E os inversos se inverteram.

Hoje receio nada ver.
Receio uma ação que não tenha reação
Receio uma partida sem despedida.

Mas um pensamento me acalma.
Pode ser só mais uma etapa
Da mudança silenciosa e rápida
Que o tempo insiste em apresar
E não me deixa acalmar.


Em 2005.

Um comentário:

  1. Cara, eu diria que esse eh o poema do homem pós moderno!

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