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terça-feira, 29 de junho de 2010

IECH



Obrigado, Senhor, por esta igreja.
Obrigado por me trazer à Tua casa,
pelos amigos que me apresentou
e apresenta a cada dia.

Senhor, obrigado pela
Igreja Evangélica Congregacional de Higienópolis.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Antes da hora

Sensação de formigamento no peito,
embrulho no estômago.
O querer se conecta com a improdutividade.
A sensibilidade se trai
e os olhos vão ficando vazios.
O homem quase completo veio precoce,
mas mostra que vai cumprir seu papel.

Economia

Estado de alegria em baixa
aumenta-se a demanda,
força-se a inflação.

No fim das contas
o preço da felicidade
acaba sendo empurrado para cima.

Crescimento

Crescer sem infra-estrutura
leva à ruína.

Como continuar envelhecendo
sem infra-estrutura emocional?

Explicação

Porque são nos vales da senóide
que mais meu grafite é gasto.

Antes um degrau positivo sem textos
do que oscilações cruéis com escrita.

Cotidiano

Matar aulas no CT,
tomar açaí no bloco B.
O fundão é feio demais,
só não é mais feio do que as lembranças mortais.

Garça [2]

Ave branca e reluzente
caminha por cima
da sujeira de todos.

Não se intimida,
contudo,
com seu habitat.

Pelo contrário, contrasta
seu branco puro
com a negra degradação.

Higienópolis de lodo rio,
ainda que prostituído,
não infecta por difusão.

Mas observa, abismado,
o asseio voo de sua cria.
Aves sujas de óleo não conseguem voar.

Antes agonizam.
Se não agora, em breve:
salário do tempo desperdiçado

com imundícia.

Surpresa

Vamos Felipe
vencer seus desafios
fazer da vitória realidade
e da alegria presente.

Mas qual é sua surpresa
em reconhecer
a ti mesmo
como o maior de seus inimigos?

53

Parabéns seu moço,
paterno moço.
Boa parte do que sou
vem de ti.

Ainda que, em egoísmo,
eu me ame,
amarei também a ti,
pois é parte de mim.

Feliz aniversário pai!

domingo, 20 de junho de 2010

Hipocrisia

O levantar a voz em conclusão
é tão mentiroso,
sem propósito.
Não, não edifica.

Direito de resposta corrompido:
citação dos ausentes,
dos sem-defesa.
Omite-se a justiça e a verdade.

Traz à tona o encerrado:
culto aos mortos assuntos.
Desatenção ao que vive para sempre.

Tempo de calar

Às vezes é tempo de calar.

Quando, ó Deus,
calarás aqueles homens
que de tanto pensarem conhecer-te
falam levianamente,
com palavras não dignas,
dos seus escolhidos e de Ti?

Loucura

De quando em vez
um pouco de insensatez,
uma certa esquizofrenia e
um ataque de melancolia
tomam lugar.

Infiltram-se nas ramificações
dos pensamentos confusos meus,
da alma que se destrói no corpo.
E juntos, pensamentos e alma,
soltam-se a se desencontrarem.

Enquanto eu, no meio,
luto em cortar o que posso.
Se dou asa
desenvolver-se-á demais
este aparente belo pássaro.

E ave que se alimenta de loucura
é carniceira, urubu maldito.
E se cresce mais que a mim
acaba por me sustentar.
Só para me atirar no primeiro abismo.

Dos vampiros

À luz de vela
os verdadeiros vampiros
espreitam.

Não por vontade própria,
mas pelo clima
macabro e pouco vivo.

Os verdadeiros vampiros
fazem falta,
estão escassos.

Mentirosas são todas as suas histórias,
mas ao menos as antigas
tinham graça.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Lugar sem chamado

Deve existir um lugar
onde ninguém conhece meu nome,
onde eu nem sombra sou,
onde não haja pessoa alguma.

Regurgitação

Ao mundo sou morno.
Nem quente, nem frio
e por isso sou vomitado
a todo o momento.

A sobra da história,
o morno da situação,
o vômito do mundo,

o sal da terra.

Insônia

Existe uma loucura
que beira a virada da noite
à procura dos que não sonham
temerosos com o que, em pesadelo,
podem encontrar.

O universo dormido
é descontrolado.
A preferência é sobre
o controle (remoto)
da noite.

Fantasmas

Ouço falar ao meu ouvido
o que não quero ouvir.
Do que achei ser solução
agora me atormenta novamente.

Foram tudo mentiras, no final?
Tudo, desde o princípio
e assim será até o fim?
Viver da mentira é ser tão covarde.

A confusão está feita em mim.
Não há caminho
de asfalto, barro ou mato baixo.
Antes restou apenas mata densa.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Experiência

Soltaram os cães,
perseguiram e
maltrataram

aquele que merecíamos.

O que farão vocês,
homens de pouca fé,
com o que virá e que há de ser

aquele que precisamos?

Previsibilidade

Casa
na noite de sexta
com papel reciclado
e grafite afiado.

Carro
blindado da chuva,
do vento e da amargura.
Do mundo quero só um casulo

enquanto ele não acaba.

sábado, 5 de junho de 2010

Da auto-confiança

O calcanhar de Aquiles
da auto-confiança
é que ninguém se importa.

Se é auto
se basta.
Confias em ti mesmo?

Se é confiança
se limita.
Não precisas de mais?

Mas quem há de confiar
na auto-confiança
dos outros?