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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Garça [2]

Ave branca e reluzente
caminha por cima
da sujeira de todos.

Não se intimida,
contudo,
com seu habitat.

Pelo contrário, contrasta
seu branco puro
com a negra degradação.

Higienópolis de lodo rio,
ainda que prostituído,
não infecta por difusão.

Mas observa, abismado,
o asseio voo de sua cria.
Aves sujas de óleo não conseguem voar.

Antes agonizam.
Se não agora, em breve:
salário do tempo desperdiçado

com imundícia.

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