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domingo, 26 de setembro de 2010

Explicação

porque asas
não combinam com tempestade.
Deixe-as fechadas,
envolvidas em chuva de felicidade,

que é morna,
feita de palavras.
Sopa de letras que contorna
a liberdade que a vida lavra.

Aproveite o líquido
que do céu jorra.
Semeie para que o ressequido
coração não morra.

Sem título

O amor
em sua poesia
é secundário.

O que vale
nela é o valor
literário.

Cópia pura
do comportamento
humano.

Cristo

A paz aos
tempos de agora:
aurora do natal.

Nós

Nós que somos e aqui estamos.
Nós dos dedos de mãos e pés.
Toda a articulação desse corpo leva em si um nó

feito das estaladas preocupações
nó na cabeça, nossos nós.
Nó na garganta.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Do amor

Citarei a fonte
donde o amor
agora jorra
a encharcar-me:

Poema (meloso) de Amor II.

Da vaidade

"(...) Na verdade,
todo homem,
por mais firme que esteja,
é pura vaidade."


Sl. 39: 5b

sábado, 18 de setembro de 2010

Onde está o velhinho?

Onde está o velhinho?
Está sentado no bar
bebendo cerveja sozinho
e pensando na vida.

O sábado estranha
quando se demora o velhinho
a sentar no barzinho.
Mas é só atraso, ele sempre vem.

Seu lugar é cativo,
o espaço é seu por direito
assim como a mesa com a marca
da garrafa de cerveja gelada.

E lá fica o velhinho
esparramado em seu banquinho
sem nenhuma novidade
ou dinamismo.

Coitado do velhinho
os sábados fartaram-se de sua presença.
Aos dias o tempo é apressado
ao velhinho é arrastado.

O ritual do velhinho é sua vida
ou sua vida é seu ritual.
Ninguém ao certo sabe dizer
quem ritualiza o quê.

O velhinho tão tradicional
de bermuda, camiseta e chinelo
decidiu por um tempo mudar
e desconfiam que não foi por querer.

Apareceu, no início, de meias,
depois de calça,
depois de boné
e então de jaqueta.

Expeculam que seu coração,
acostumado à mesma situação,
não suportou as semanas de mudança.
E então, onde está o velhinho?

Do banquinho sumiu
e no bar não apareceu.
O sábado já não se faz o mesmo,
os dias gostam é de mudança.

Coitado do velhinho
desapareceu (d)o cotidiano.
Onde está o velhinho?
Está na marca da mesa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Novidade

De seis anos para cá
até a fisionomia magra cresceu.

Férias ao (atualmente)
desregulado óculos

e trabalho ao novo
que está cheio de vontade

de fazer sua própria marca
nesse rosto cansado.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cruzado

Disseram-me:
És por demais direto.
A vida me é direta,
A ponta do nariz já era.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aborto

Rouba-se a vida,
rouba-se a inocência.

Política podre
cobra e sustenta o absurdo.

Viva aos salários dos eleitos
manchados de fetos.

Afinal patrocínio rima com latrocínio.


ps.: Imagem do site Repórter de Cristo.

Mas


Do que é feito do mas:

são feitas as desculpas
(das mais esfarrapadas),

são feitas as imposições
(das mais cruéis).

És uma terra diversa
a que recorre à adversidade.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Policial Militar


Isso que vestes
é farda,
ou fardo?

Não importa
se estás farto.

domingo, 12 de setembro de 2010

Valente
avalanche

é o amor.

Prisão


A pior prisão
é a que se cria
se cria nos outros
se cria no mundo
se prende da Vida.

sábado, 11 de setembro de 2010

Ponto de vista


É preciso mudar a perspectiva,
mas córneas não crescem em árvores.

Pergunta

Onde está a poesia em tudo isso?
Com o (que se diz) poeta.

Perda de tempo


No fim das contas
só precisamos de tinta preta.

O colorir é perda de tempo.

Hálito

Ele nasceu,
mas sem manual.

Saber viver é uma arte.
Humor negro que se sustenta por si.

Nesses tempos
tem sido impossível ser.

Do (não) querer

Não quero mais companhia,
qualquer que seja.
Quero o silêncio
do meu intelecto controverso.
Quero o deixa estar
da minha personalidade grossa
e sem jeito.
Deixe-me só
que ainda tenho a mim.

Sexta à noite

A cada esquina um rosto fechado,
a cada virada uma incompreensão.

E o Rio é repleto de curvas.

Da falta

O que falta à vida
é a vida que lhes falta.

Das pessoas

Às vezes, somente às vezes,
falta o entendimento:
como Deus pode amar tanto Sua criação?

Mais do que todo o resto,
mais do que o inanimado.
Pessoas são estúpidas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Canetas

De vermelho só escrevo
se acabar as outras tintas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Progresso

O que é estrada
para a borboleta
que nas árvores
antes se escondia?

Tanto faz

Tanto faz somente olhar
ou penetrar.
Mesmo peso,
mesma medida.

Pelas consequências
humanizamos.
Vários errinhos fazem um errão?

Morte
como salário devido
a todo pecado.

Coragem



Minhas palavras desafiam a escrita
como os malabares do excêntrico artista.

Abrigo

O período pede um abrigo,
um lugar do espaço e tempo excluído.

Uma praia encapsulada,
um terraço nublado,
uma floresta intocada,
um saco de dormir,
um vale
e uma fogueira.

Peço o momento congelado
na gelatina do viver.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gênesis


"Na natureza
nada se cria,
nada se perde
tudo se transforma."

No início,
a partir de quê
tudo foi transformado?

É ciência,
é religião.
Mais complicado
é acreditar em vocês

do que na bíblia,
que é a verdade,
e liberta.

Ser ou não ser


Tudo se cria,
nem tudo se transforma.

Quase tudo se altera
para um equilíbrio absurdo.

Sem quase nenhuma linearidade
todo o natural é aproximado. E dá certo.

A natureza é gananciosa.