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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sina

Coitada desta antiga caneta
sua tinta falha e só produz marcas.

Marca minha folha, já não escreve,
cicatrizes são formadas pelos veios no papel.

A ferida ainda jovem era agredida,
não conseguia, tadinha, criar casquinha.

Marca minha folha, já não escreve,
cicatrizes são formadas pelos veios no papel.

Hoje a casca é grossa, mas craquelada.
Herança do período, de agora, que ainda fere.

Marca minha folha, já não escreve,
cicatrizes são formadas pelos veios no papel.

O passado tira pedaço, lembrança que flagela
como a caneta que com tinta produzia memórias, mas

marca minha folha, já não escreve,
cicatrizes são formadas pelos veios no papel.

4 comentários:

  1. Que poema lindo! De alguma forma, me identifico. "Hoje a casca é grossa, mas craquelada. Herança do período, de agora, que ainda fere." E o período de agora é sempre a junção dos "agora" que já passaram... E fere. E sempre criamos cascas para que pare de sangrar.
    Já estou seguindo o blog, espero que passe mais vezes no Aquela Velha Novidade; eu continuarei passando aqui! Beijos!

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  2. Achei encantador!
    Permanecerei por aqui, lendo mais e mais...

    Be:)os

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  3. A vida pode ser resumida como uma união de machucados e a coleção de cascas.
    Vive melhor quem cicatriza mais rápido xD.

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  4. Muito obrigado Angélica.
    Sinto-me muito feliz pelo vórtice que passou por aqui.

    Beijos. xD

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