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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poesia tosca

Não tenho medo de poemas bobos,
essas palavras que não dizem.
Não tenho medo de estrofes toscas,
qual diamante já não foi pedra fosca?
Não tenho medo de versos sem importância,
os não letrados que os julguem.
Não tenho medo de verbos simples
a simplicidade que os condene.

Interrogação

E se Deus fosse um de nós
pegando o ônibus, indo para casa
e falasse contigo, ou comigo
sobre aleatoreidades,
querendo saber como foi seu dia?

Você, ou eu, notaria?

E se um de nós fosse fundamental,
em um mundo doente,
agindo em favor Dele
como a prevenção e o remédio
dessa gente sem descanso?

Você, ou eu, notaria?

E se o milagre que tantos procuram
e tantos outros já nem acreditam
gritasse de dentro da pele
exigindo a todos a atuação necessária
para que acontecesse?

Você, ou eu, notaria?

Parágrafo

Os ambientes de meus pensamentos há muito estão poluídos. E esta é uma razão, explicação, ou apenas pretexto para uma discussão. O raciocínio flutua pelas águas mornas de uma piscina infantil, e sem ter como chegar a lugar algum dá voltas e permeia, quase o instante eterno, a urina diluída das crianças. Não passa de uma grande latrina, em que o esgoto é a corrupção dos pensamentos que fingem a inocência dos pequenos mijões.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Minha mulher

Minha mulher é assim:
às vezes cisma
com coisa pouca
e provoca briga,
mas é pura manha.

Minha mulher é assim:
carinhosa,
acalenta
pescoço e cabeça cansados
em seu colo
que anseia ser materno.

Minha mulher é assim:
um pouco de mim
e, diante de Deus,
metade será logo assim
que o compromisso
se firmar enfim.

Minha mulher é assim:
faz parte de mim.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Do atual 1

Desisto de um poema
sem graça nem importância
para uma meia verdade.
Meia porque é unica, minha.
Verdade porque é fato, que acontece.

O pai da mãe nada vale
e estraga o que dele não se aproveita.
A mãe vale por ela, ele, avó e filhos,
não sobra tempo para valer por ela mesma.
E o neto é mais filho se
se afasta da satisfação própria.

O neto quer moral para dar um basta,
mas moral é algo que se conquista.
Para ele ainda não é chegada a hora.
A mãe chora se sente não ser boa
filha, mãe ou provedora.
Acaba por ser tão boa
que estraga todos os outros.

Um jogo de interesses foi estabelecido:
cada um tira o seu
da mãe que procura se aposentar
preocupada em manter vivas
as vontades de todos,
salvo a sua própria.

Mas o fim está próximo
quando o filho se formar
e der à mãe as alegrias que merece,
quando o neto se formar
e tirar do avô a boa vida que ele usurpa.

Morte

Morte?
Não, não chego a desejar tanto.

Talvez prefira a palavra descanso.
Sim, isso sim,

desejo descanso,
dele, meu e todos em volta.

Estamos cansados dessa droga!
Estamos forte demais para isso!

Ajuda bem-vinda é a que não atrapalha,
é a que sai da frente e não reclama.

Façamos e faremos de nós a ajuda
que sempre precisamos e sempre faltou.

Obrigaremos o descanso e nos cansaremos
para que tudo fique pronto.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

De meus verões, soneto duplo

Hades observou do submundo
sua futura rainha e a raptou.
Perséfone, filha de Deméter, não teve escolha
e fez dos mortos seus súditos.

Mas um acordo a consolou,
atestado, confirmado, decretado.
Três meses por ano ela voltaria
e então Deméter a primavera faria.

A alegria ainda duraria todo um verão,
a vida dos deuses é mesmo familiar.
Meu verão não é de alegria,

foi o tempo dessa Perséfone
ir aos confins do submundo
fazer dos mortos sua companhia.

O inverno semi-perpétuo de Deméter
é meu verão, é meu outono.
É a metade do ano que morre
e vaga pelos pátios do Tártaro.

A mitologia é mais real
que muito signo e todo o zodíaco.
É presente nesse sol escaldante
que torra minha alma de olhos fechados.

E a brevidade da vida
quer dar cambalhota:
nas lembranças se repete.

Às vezes, insano, como eu queria ser um deus,
mas a fantasia disso que chamo de vida
transforma tudo em vã mitologia ... real.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Terra molhada

Cheiro de terra molhada,
mas é só um jardim
sendo molhado.

Basta

Basta um esquecimento
e algumas faltas de consideração
aliadas ao dia quente
de sono e marasmo

Para dar o tom da falta de paciência
e da sensação de um punhado
de férias desperdiçado.

Falta vontade, falta jogo de cintura.
Falta, principalmente, a habilidade

de ser sábia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Malabares

Sou uma etapa corrida,
mero mascote da vida.
Sou parte em um fio delicado,
pedaço de teia embolado.

Almejo a pipa solta do fim de tarde
e o jogo de bola covarde.
Vontade tendenciosa em entrar
na projeção do passado a demarcar

o alvo proibido, trancado em sonho,
forçando esse futuro que decomponho
a existir. Fonte do medo de ser,

aquilo que não mais se pode conter.
Inexorável destino obriga
a me curvar frente sua fadiga.

Hipocrisia ou ironia?

Fazer
é mais fácil que
falar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Citação

MEU SILENCIO È TAO GRITANTE
COMO A PAZ DOS OCEANOS
SEM MAZELAS PRA CONTAR
NEM FERIDAS PRA PINÇAR
SEM O RUMOR DE CRISTÃOS E MOUROS
SEGUINDO O SUAVIZAR DO TEMPO
AS BADALADAS DA MEIA NOITE
O ESCOMBRO DE UM CEMITÉRIO MALDITO
E A MAGNITUDE DO INFINITO

Texto de Anna Karenina

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Sistema pluvial

Se minha vida é uma cidade
sou a escuridão dos bueiros.

Da melancolia

Num canto escuro
de um quarto fechado
encontra-se agachado
o resultado prematuro

da melancolia muda
que deixa sob pressão
corpo e mente em sua mão
esmigalhando esta estrutura sisuda.

22:00 hrs

- Amor, acho melhor eu ir.
- Ah amor, já?! Que horas são?
- Não sei, mas já acabou House, deve ser umas 10 da noite.
- Ah, então tá bom, vamos lá para você se despedir dos meus pais.

- Já vai Felipe? Ainda é cedo.
- Que isso, já tá na hora, quanto mais tarde, mais perigoso passar pela vermelha e amarela.
- Tá bom então, vai com Deus.
- Fiquem com Deus.

Ah se um dia tiver maratona de House a noite toda! xD