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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Do álcool


                Orgulhemo-nos por sermos o país com o quarto maior consumo de álcool das Américas e que seja a vergonha não ser o primeiro lugar. Somos o quarto país a achar necessário um agente amenizador de inibição para que possamos nos divertir. Sugiro que façamos a nossa vontade e paremos de agir com a hipocrisia que transporta toda nossa sociedade para a fossa. Se ser o primeiro é o desejo por que não servimos bebida alcoólica para nossas crianças de uma vez? Por que não cigarro, ou ainda, por que não encher mais e mais as passeatas para tornar lícitas as drogas proibidas? Ou o álcool deixou de ser um entorpecente?

                A falsa liberdade que os jovens demonstram com relação à bebida alcoólica é um dos motivos para a sensação de caos cada vez maior em nossos dias. Alguém dirigir bêbado e matar uma família no trânsito tem o mesmo efeito provocado por um viciado, na tentativa de roubo: morte para a satisfação da sua necessidade de droga. É o mesmo dano, são vidas inocentes perdidas para o álcool da mesma forma que perdemos vidas inocentes para as drogas.

                Eu sempre me pergunto como alguém fora de seu juízo perfeito pode decidir a melhor maneira de resolver alguma situação. Aqueles que usam o álcool como artifício para diversão são dignos somente de pena, nada mais. O álcool para o corpo humano é uma toxina, sobrecarrega o fígado, sendo capaz de alterar o comportamento comum de um indivíduo. Alcoólatras apresentam taxa de suicídio de 2 a 3,4%, algo em torno de 60 a 120 vezes maior do que entre a população geral, isso sem contar condutas auto-destrutivas ou a persistência em beber durante doenças graves.

                E por falar em conduta, não sei vocês, mas eu sempre achei que falar enrolado, demorar para elaborar o raciocínio e agir de maneira inadequada não são comportamentos esperados de pessoas adultas, que já possuem maturidade suficiente para saber como se comportar em torno de outras pessoas.

                Por fim, sou contra a ingestão de álcool, minha e de outras pessoas, da mesma forma que sou contra o consumo de tabaco e de todas as outras drogas ilícitas. Ainda que o álcool fosse por si só uma forma de suicídio, como uma injeção letal simples, seria contra porque a autodestruição nunca vem só. Ninguém é uma ilha, decisões mal feitas sempre resvalam na vida de outros. Que possamos aprender, como sociedade, a ser menos animais e mais humanos. Afinal, querer viver entorpecido não é coisa de gente.


Obs.: Inspirado nessa reportagem e para quem for conferir: ênfase para o último parágrafo.

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