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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

miragem de manhã

Hoje acordei sem abrir os olhos e vi cores que ainda nem sei o nome. Andarilhei cômodos vazios de luz tateando uma escuridão tocante, à flor da pele. Uma estrada vazia, à beira de um deserto ou mar, não lembro. Som do calor da borracha correndo no asfalto misturado à espuma da coca-cola gelada escorrendo pelo copo. É tudo parte de uma certa esquizofrenia, o calor bagunça os sentidos, e com esses óculos suados já quase não se vê nada além de borrões em sépia. Talvez seja mar mesmo, com esse gosto de sal no ar, essa maresia a incomodar a pele, temperando o tato ao sol. Um respirar atrapalhado por ondas a cambalhotar corpo contribuindo ao desespero. As cores sem nome, a falta de palavras, de ar, cada um dos sentidos falha nesse mar de ilusões.

Sonhei que estava acordado.

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