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domingo, 27 de novembro de 2011

Desabafo


Como universitário convivo com todo o tipo de pessoas todos os dias. Em termos de religião então, nem se fala! Tem espaço para tudo: tenho amigos evangélicos, espíritas, adventistas, ateus... A lista segue com mais um bocado de nomes. Nunca me incomodei com essa diversidade de pensamentos, pelo contrário, sempre achei interessante e, mais do que isso, uma oportunidade de compartilhar o amor de Jesus.


Entretanto, um desses grupos tem me deixado um pouco inquieto ultimamente. Tenho observado diversas tentativas dos ateus de se auto afirmarem, mostrarem ao mundo que estão ali, que não precisam de nada nem ninguém para serem o que quiserem. Entre os ateus que eu conheço observo uma série de postagens em redes sociais e boa parte desse material é ofensivo contra os que confessam alguma fé. O que é contraditório, vindo do grupo que quer “combater o preconceito e a desinformação a respeito do ateísmo e do agnosticismo...” (ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos).


Há algumas semanas saiu uma reportagem na Época com o título: “A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico” (disponível em: http://www.genizahvirtual.com/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada.html) em que a jornalista procurou demonstrar a intolerância dos evangélicos acerca daqueles que escolhem não ter fé alguma, mostrando um diálogo entre a jornalista, ateia, e um taxista, evangélico. O que eu vi não foi intolerância, mas sim uma preocupação genuína do evangélico com uma pessoa nesse “estado”. 


O que mais me incomoda não é o discurso dos ateus, não é sua necessidade de auto afirmação. O que me incomoda é o fato deles não aceitarem que eu sou cristão e que sou feliz em sê-lo. E, mais que isso, que procuro disseminar minha fé sem usar outras convicções para servir de trampolim, como eles tem feito, usando a fé alheia para se afirmarem como grupo. No fim das contas os ateus têm se mostrado muito similares aos religiosos.


O meu receio é acabarmos em uma sociedade de extremos em que compartilhar a sua fé possa ser sinal de preconceito, ou de inferioridade intelectual. É por isso que tenho praticado mais o falar de Jesus com minhas ações, mostrando ao mundo o que há de diferente em mim, mostrando que eu não preciso criticar nem agredir qualquer outra religião (ou a falta dela) para compartilhar do amor de Deus em minha vida. O que mais efetivamente combate a intolerância é a tolerância.


Então vem um pedido, para que, como cristãos, possamos mostrar ao mundo que somos diferentes do mundo fazendo com que nos conheçam como “aqueles que praticam a bíblia” e não “aqueles que apenas lêem a bíblia”.


 Texto publicado no Boletim Informativo da IEC de Higienópolis.
Dia 27 de novembro de 2011.
Felipe Cabral.

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