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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Da poesia

Natureza, poesia (morta).
Folhas de um caderno sem capa dura
testemunham a violência.
Não se é escravo do que se faz.

A relação: liberdade.
A palavra está para um conto,
como a linguagem está para o homem.

A arte sai do indefinível,
aproxima, sem apresentações,
o humano e a humanidade.
A poesia e o poeta.

Os leitores: gente normal.
A visualização da arte não define,
mas esclarece. Sem medir.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cuidado, tem quem viva nesses versos

E quem disse que escrever era fácil?
Os sentimentos, emoções
São demasiados sublimes
Para serem rotulados.

O subterfúgio então vem das comparações.
Antes o belo é reduzido ao sentir,
Depois é contraído,
Pressionado pela limitação do entendimento.

O poeta é desgastado,
Obriga-se a romper em lascas.
Como matéria prima
Para construção tátil de sua alma. Versada.

Porém se, por um acaso qualquer,
O escritor tem sucesso em sua empreitada,
Leva a obrigação de alertar possíveis desavisados:
Cuidado, tem quem viva nesses versos.

sábado, 2 de junho de 2012

Ideia

Preciso de uma.
Escrever sobre o quê?
A conexão que une
Interpretação e comunicação,
Essa corda poética
Parece ter sido rompida.
Ou distorcida?
Tem solução?
Essa conexão,
Que sofre as dores
De uma agressão desleal
Pode ser restabelecida?
Aguentaria novos ataques?
Deixe que a fibra apodreça.
Deixe que a comunicação se acabe.
Deixe que a ponte se desmanche.
Quando a inspiração for absurda,
Há de explodir

E respingar do outro lado.